F1: Uma questão de interesses.

 

Foto: XPB Images
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Não sei o que me entristece mais nisto tudo, se é o estado actual da F1 ou é a atitude completamente indiferente, pelo menos do Bernie face ao mesmo.

O problema é antigo, os responsáveis também. Embora tenha um certo “ódio de estimação” pelo Bernie Ecclestone, confesso, não sou daqueles que diz que tudo o que fez na F1 foi mau. Aliás se existe alguém que a FIA tem de agradecer pelo “salto” na F1 quer em termos de notoriedade e principalmente fazer da F1 algo vendável é ao Bernie que se deve dirigir.

Porém o tempo dele já passou, é preciso alguém diferente, alguém com novas ideias, actualizadas, realistas e acima de tudo sustentáveis. É preciso alguém que olhe para a F1 como um desporto e não como apenas um negócio.

Bernie lá vai passando pelos pingos da chuva, com mais ou menos dificuldade porque tem as “costas quentes”, das principais equipas da grid. Não estou a falar de regulamentos, que o V6 não encaixa no “espirito” da modalidade, que os narizes são feios… estou a falar de aspectos a nível financeiro.

O actual sistema financeiro e de repartição do financiamento, favorece as “equipas grandes” do grid, como tal, pouco ou nada fazem para haja alterações. Como todos nós sabemos, a FOM é a responsável pela distribuição do dinheiro, onde 67% do mesmo é distribuída pelas equipas. Até aqui tudo bem, agora vem o verdadeiro problema. A distribuição do mesmo é realizado numa primeira fase pela posição que cada equipa do top-10 obteve no campeonato, ou seja a equipa que teve a infelicidade de ficar na última posição do campeonato, 11º lugar, não receberá qualquer retorno financeiro da FOM, o que só por si é ridículo.

Foto: XPB Images
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Depois existem os chamados “brindes” para algumas equipas grandes. A Ferrari, McLaren e RedBull recebem um premio anual de cerca de 80 milhões, por serem CCB (Constructor Championship Bonus as 3 equipas com mais vitórias em corridas antes de 2012). Para além disso, a Ferrari ainda recebe um premio por ser a única equipa que esteve sempre presente na F1 desde a sua existência, entrando assim um premio de 50 milhões anuais nos cofres da Scuderia de Maranello.

Para termos noção, a Marussia gastava cerca de 51 milhões de euros em despesas (dados de 2012), ou seja o prémio que a Ferrari recebe anualmente daria para pagar praticamente as despesas da Marussia.

Como remediar isto? No inicio do ano foi proposto um tecto orçamental para todas as equipas, que seria uma excelente medida e iria certamente tornar a F1 muito mais competitiva, passando algum tempo a proposta foi descartada, alguém sabe o porque? Eu não, confesso.

A guerra está aberta entre “grandes” e ” pequenos”.

As equipas mais “pequenas” já perceberam que é hora de mudar, face a situação recente quer da Marussia quer da Caterham, outras demonstraram o seu desagrado face a actual politica e até chegou haver um rumor que a Lotus, a Force India e a Sauber poderiam não correr em Austin por forma de protesto o que evidentemente não aconteceu.

Do outro lado temos os “grandes” que pouco lhes interessa a mudança. Mais vale salvaguardar os seus interesses do que se preocupar no futuro da F1 a curto/médio/longo prazo. O mais risível disto tudo é que temos pessoas que culpam as próprias equipas “pequenas” pelo seu actual estado, um exemplo é Toto Wolff que acusou as equipas mais pequenas de gastarem o que não têm. Quando se tem pouco, vai-se gastar o quê? Se já com um certo investimento a Marussia e Caterham se arrastam em pista imaginem sem um investimento minimamente coerente.

Foto: XPB Images
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Olham para o seu umbigo e pouco mais. Duas já caíram. Caterham já procura um novo comprador e deu um prazo de duas semanas, caso contrário, vai ter mesmo de fechar portas. A Marussia, que até estava a fazer uma excelente época, para os padrões da equipa, onde obteve os seus primeiros pontos, fechou portas, o que demostra claramente que o ter sucesso desportivo não está aliado em continuação na F1. Não existe qualquer coisa de errado aqui?

Force India e Sauber também atravessam problemas. As duas estão a chegar ao limite do seu orçamento, a Sauber deixou de pagar o fornecimento de motores à Ferrari desde o GP de Itália. A Force India conseguiu renegociar a dívida com a Mercedes para o fornecimento de motores, caixas de velocidades e sistemas de energia.

A Force India viu o seu caso agravado com a saída da Sahara, um dos mais importantes patrocinadores da equipa, o que deixou a formação de Vijay Mallya em dificuldades, sobretudo para a próxima temporada.

A Sauber procura por um milagre. Já houve rumores que a equipa iria ser comprada por um magnata dos EUA. E agora teve de optar por um piloto pagante e os 15M do Ericsson certamente que serão uma grande ajuda. E ainda existe a Lotus que também não está numa situação desafogada.

Só não vê quem não quer. As principais criticas vêm de fora e de gente muito importante ligada a F1, pilotos, directores, presidentes… Ainda no outro dia li as declarações de Max Mosley, ex-presidente da FIA sobre o actual momento, onde colocou uma proposta no ar: A proposta era passar para uma divisão mais equitativa das verbas da direcção da F1, o dinheiro deveria ser dividido igualmente e , depois, cada equipa que encontrasse o máximo de patrocinadores possível. E justificou que uma equipa como a Ferrari irá sempre ter mais patrocinadores do que uma equipa como a Marussia, mas pelo menos, todos partiam do mesmo ponto. Até que não é assim tão descabida…

Que soluções serão adoptadas?

 

 

Daniel Leites

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