O que é feito de… Robert Kubica

 

10815969_425789050907825_1706106645_nRobert Kubica… que saudades! Não acredito que não exista ninguém que não tenha simpatia pelo polaco, uma das maiores promessas dos últimos anos na F1, que teve o “azar” de sofrer um acidente que acabou por colocar um ponto final nas suas aspirações na categoria rainha do desporto motorizado.

Robert Kubica teve o seu primeiro carro com quatro anos de idade, era um “carro” com um motor de quatro tempos, nenhuma potência, mas podia chegar aos 40 km por hora. Aos seis anos de idade recebeu um verdadeiro kart e aos dez anos de idade, obteve a licença de corrida, começou a competir e nesse mesmo ano foi campeão polaco.

Devido a fraca e quase inexistente infra-estrutura de automobilismo na Polónia, Kubica foi competir para Itália a partir dos 13 anos, para a equipa de Kart CRG. Em 1998, tornou –se o primeiro “não italiano” a ganhar o campeonato italiano Júnior de Kart, além de terminar em segundo lugar no Campeonato Europeu de Kart, onde correu contra Lewis Hamilton e Nico Rosberg, entre outros. Hamilton classificou Kubica como um de seus mais ferozes concorrentes.

Com o apoio e orientação de Daniele Morelli, Kubica mudou-se para corridas de monolugares em 2001, nos campeonatos italianos e europeus de Fórmula Renault. No seu segundo ano, terminou em segundo lugar da prova italiana, atrás José Maria Lopez ( acutal campeão de WTCC).

Foi para a Fórmula 3 em 2003, onde realizou uma estreia de sonho, ao vencer na primeira corrida no circuito de Norisring. No ano seguinte mudou-se para a equipa ASL-M, onde terminou em sétimo no campeonato.

foto in: f1fanatic
foto in: f1fanatic

O próximo passo foi o World Series by Renault, em 2005, para a equipa Epsilon Euskadi. Ganhou o título, com quatro vitórias, sete pódios e 154 pontos. Devido aos excelentes resultados, a Renault F1 propôs-lhe um teste, mas acabou por não lhe oferecer um lugar na equipa.

Não foi a Renault mas acabou por ser a BMW em 2006 a propor um contrato a Robert Kubica, que assim seria o terceiro piloto da equipa. Realizou cerca de 25 mil quilómetros de testes ao serviço da BMW e começou a dar nas vistas nas sessões de treinos de sexta-feira, onde  fazia a função de “pace-setter”.

O azar de uns, a sorte de outros. Robert Kubica teve a sua grande oportunidade de finalmente se estrear na F1 em Hungria, ao substituir Jacques Villeneuve que no Grande Prémio da Alemanha (Hockenheim) teve um grave acidente. Villeneuve acabou por ser substituído pelo polaco, devido aos fracos resultados que ia demonstrando.

Na sua estreia terminou num consistente oitavo lugar, mas foi desclassificado por estar abaixo do peso permitido. Porém a decepção não durou muito tempo, pois três corridas após a sua estreia, Robert Kubica subiu ao pódio em Monza, terminando a corrida no terceiro lugar, igualando o melhor resultado da BMW na temporada.

foto: XPB images
foto: XPB images

Em 2007, a BMW anunciou que manteria Robert Kubica na equipa, conscientes que tinham um talento sério nas suas mãos. O início de época não foi o melhor, ao não terminar o GP da Austrália, seguindo se um modesto 18º lugar na Malásia. Não se pode dizer que foi um ano mau, para um “rookie” acabado de chegar a F1. Ficou três vezes no quarto lugar, acabando em sexto lugar no campeonato, com 39 pontos, um lugar atrás do seu companheiro de equipa, Nick Heidfeld. Pelo meio Kubica teve um gravíssimo acidente no Canadá, mas acabou por sair quase ileso, apenas com um traumatismo craniano, o que deixou afastado da corrida seguinte em Indianapolis, sendo substituído na altura por um jovem de seu nome Sebastian Vettel. Tinham olho para os pilotos os homens da BMW.

A temporada de 2008 foi talvez a sua melhor temporada na F1 mas também a mais frustrante certamente. O inicio de época foi brilhante, 2º lugar na Malásia, 3º lugar no Bahrein, 3º no Mónaco e vitória, a única na sua carreira no Canadá, aproveitando uma colisão entre Hamilton e Kimi Raikkonen para conquistar a vitória (dobradinha da BMW) e assumir a liderança no campeonato de pilotos. A meio da segunda fase da época, a BMW tinha desistido do desenvolvimento do F1.08, olhando já para o F1.09. O polaco teve que enfrentar uma equipa que parecia dividir o seu tempo a ajudar Nick Heidfeld, para melhorar o desempenho na qualificação e o carro de 2009.

foto: XPB images
foto: XPB images

Desta forma, enquanto Robert tinha sido capaz de morder os calcanhares da McLaren e Ferrari no início da temporada, era agora incapaz de lutar contra a Renault, Toyota e até mesmo a Toro Rosso. Terminou na quarta posição no campeonato, empatado com Kimi Raikkonen, com 75 pontos. Terminando a época, com três 2º lugares, três 3º lugares e uma vitória.

O ano de 2009 prometia ser risonho para Kubica, com a BMW a ser uma das primeiras equipas a começar a trabalhar no monolugar de 2009. Nada mais longe da verdade. Apesar da BMW ter sido a primeira equipa a preparar o carro para as novas regras, o fabricante alemão cometeu um erro grave. Na ânsia de adoptar o conjunto de novos componentes, esqueceu-se de um componente vital… O difusor duplo. O que teve claras consequências na competitividade do carro.

Porém, em Melbourne, estava a caminho de um lugar no pódio, antes de colidir com Sebastian Vettel. A primeira parte da época foi incrivelmente má, em dez corridas apenas terminou uma vez nos pontos, com um 7º lugar. Em Singapura a BMW trouxe uma grande actualização para o carro e a conquista de pontos deixou de ser uma miragem. Ainda assim fez 2º lugar em Interlagos. Acabou na 14º posição do campeonato com apenas 17 pontos.

foto: XPB images
foto: XPB images

Já perto do final da época, a BMW tinha anunciando que ia deixar a F1. Com isso Kubica viu-se obrigado a encontrar uma nova equipa e mudou-se para a Renault em 2010, equipa que também tinha realizado uma má temporada em 2009. E com R30 encontrou de novos os pódios de forma mais regular. 2º na Austrália, 3º no Mónaco e em Spa, o que lhe valeu o 8º lugar no campeonato com 136 pontos, esmagando completamente o seu companheiro de equipa que apenas obteve 27 pontos.

Durante o decorrer da temporada, houve especulações de que Kubica poderia ir para a Ferrari, algo que não durou muito tempo, já que a Renault fez questão de assegurar o polaco assinando um novo contrato valido por mais dois anos.

Mas poucos dias depois de testar o R31, obtendo o tempo mais rápido do primeiro teste de pré-temporada em Valência, ficou gravemente ferido depois de um acidente no rali “Ronde di Andora”, na Itália, com um Skoda Fabia. Robert Kubica foi obrigado a realizar uma série de operações para salvar a sua mão direita. Vários dias depois, ele foi submetido a mais nove horas de cirurgia para o pé, ombro, úmero e cotovelo anterior.

Posteriormente, foi confirmado Robert sofreu amputação parcial de seu antebraço, fracturas expostas no cotovelo direito, ombro e perna, bem como uma perda significativa de sangue.

Robert saiu do hospital para começar sua reabilitação em 24 de Abril, e nos meses que se seguiram houve rumores que o seu regresso estava para breve. Infelizmente para o polaco, em Novembro de 2011 a Renault descartou Kubica para o início da temporada de 2012, tendo anunciando que tinham assegurado os serviços de Kimi Raikkonen.

Em 11 de Janeiro de 2012, Robert escorregou no gelo, perto da sua casa na Itália e partiu a perna direita, exactamente no mesmo lugar que tinha partido 11 meses atrás.

foto: XPB images
foto: XPB images

No dia 9 de Setembro de 2012, o polaco voltou à competir, vencendo com alguma facilidade o Ronde di Gomitolo Lana, rali disputado na Itália. Com um Subaru Impreza S12 WRC, ao lado do navegador Giuliano Manfredi, ganhou a prova com quase 1 minuto de vantagem para o segundo colocado.

Em 2013, Kubica assinou contrato com a Citroen para competir no WRC2, onde acabou por se sagrar campeão. A sua estreia foi no Rally de Portugal, onde se demonstrou ser competitivo, mas falhas e problemas no carro o levou a terminar na sexto posição. No Rali da Acrópole, Kubica venceu, terminando quase 90 segundos à frente do segundo colocado Yuriy Protasov. Repetiu o sucesso no Rally d’Italia ao vencer à frente do Abdulaziz Al-Kuwari por 4 minutos. Volta a vencer no Rallye Deutschland ao vencer à frente de Elfyn Evans em 12,9 segundos e com isso tornou-se o líder do campeonato de WRC2. Venceu o Rallye de France, a frente novamente de Evans, desta vez por 4 minutos. Venceu novamente no Rally RACC Catalunya, a quinta vitória da temporada, sagrando-se assim campeão de WRC2.

Em 2013, acabou por ser premiado com o premio da FIA, Personality of the Year.

Kubica realizou uma série de testes no simulador da Mercedes na Fórmula 1, mostrando que tinha ritmo para voltar de novo a F1, mas limitações na amplitude de movimento de seu braço direito iria complicar demasiado a sua condução em circuitos mais sinuosos como Mónaco.

foto: M-Sport
foto: M-Sport

Em 2014, Kubica competiu no WRC ao serviço da M-Sport World Rally Team. O momento alto da época foi quando assumiu a liderança do Rali de Monte Carlo mas mais acabou por desistir ao ter um acidente na SS9. Robert Kubica foi 16º no campeonato com 14 pontos. As desistências foram uma constante ao longo da época, acabando várias vezes com o carro com as rodas para cima. No Chicane dissemos várias vezes que o polaco teria de rever as suas opções para o futuro, pois assim estava a colocar em perigo a si próprio e ao seu navegador. Entretanto a M-Sport já afirmou que não conta mais com o polaco.

 

Kubica foi sem duvida um dos mais promissores talentos na F1. A sua qualidade não enganava. Mas terá sido por certo um dos pilotos mais azarados que já vimos. Tanto talento não merecia um desfecho assim. Kubica tinha tudo para ser grande… Mas neste caso a sorte foi madrasta. Qual será o futuro do polaco? Dificil de dizer. Mas que mereces estar no desporto motorizado, isso não duvidamos.

 

 

Daniel Leites

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