F1: os melhores e os piores de 2014

É chegada a hora de eleger os melhores e os piores de 2014. Um ano recheado de acção e emoção, com muito para contar. Se não fossem as politiquices, poderíamos dizer que a F1 está de volta. Assim temos de esperar mais um pouco para confirmar isso.

Corrida do ano: GP do Barhain

Foi a primeira amostra do que poderia ser 2014 a sério e ficamos todos agarrados à cadeira com a luta entre Hamilton e Rosberg. E quem não se interessou pela luta entre os Mercedes, teve lutas entre Williams, Force India, teve as ordens de equipa da Red Bull. Teve de tudo. Canadá poderia ter ganho o prémio, Silverstone também, Hungria, mas o Barhain foi especial. A partir daí a época deu um salto qualitativo. No geral foi um ano muito bom, mas Barhain foi espectacular.

 

Piloto do ano: Lewis Hamilton

Foto in :Telegraph.co.uk
Foto in :Telegraph.co.uk

O britânico teve um ano duro. Começou com uma desistência na Austrália, recuperou da desvantagem e voltou a enfrentar azares. Foi se calhar, depois de Massa, o piloto mais azarado. Mas mesmo assim, conseguiu vencer o campeonato. A cada adversidade Hamilton regressava mais forte e determinado.  Poderá haver quem diga que é fácil ganhar com o melhor carro. Mas ganhar enfrentando um colega de equipa motivado (Rosberg, claramente o 2º melhor do ano) e em forma e lutando contra tanta adversidade… é de campeão! Mas há um piloto que merece uma menção honrosa… Daniel Ricciardo. O australiano deslumbrou tudo e todos e foi claramente o melhor não Mercedes. Uma forma sublime e momentos fantásticos que deixam os fãs com água na boca para 2015. Se a Red Bull/Renault conseguirem melhorar significativamente o carro, a Mercedes terá um adversário à altura.

 

Carro do ano: Mercedes W05

Motor Racing - Formula One World Championship - Brazilian Grand Prix - Race Day - Sao Paulo, Brazil
Foto: XPB images

Este era fácil de atribuir. Um carro que vence 17 corridas e não falhou uma única vez no pódio não tem contestação. O equilíbrio entre a aerodinâmica e o grande trunfo que foi o motor Mercedes, permitiu um domínio que não se via desde os tempos da Ferrari de Schumacher ou da McLaren de Senna e Prost.  A fechar o top 3 fica o RB10 da Red Bull que foi o único a fazer frente aos flechas de prata e o FW36 da Williams, pela velocidade de ponta e pelos desenvolvimentos encorajadores que fazem sonhar os fãs com uma possível luta pelo titulo para 2015.

 

 

 

Melhor arranque do ano: Hamilton, em Abu Dhabi.

Terá sido se calhar o arranque da década. A forma como voou para longe de tudo e todos ainda hoje deve fazer duvidar os mecânicos. Hamilton queria um arranque perfeito para a ultima corrida e foi isso que fez. Espantoso!

 

Melhor ultrapassagem do ano: Ricciardo em Monza.

De todas as ultrapassagens do ano que nos ficaram na retina, quase todas têm um denominador comum… Daniel Ricciardo. Foi ele quem mais ultrapassou e mais espectáculo deu. A sua obra prima… Provavelmente a ultrapassagem a Vettel em Monza, pela manobra e pelo simbolismo. Ultrapassar daquela forma o tetracampeão do mundo e colega de equipa é qualquer coisa e mostrou que o reinado de Vettel na Red Bull tinha terminado.

 

 

Melhor choro do ano:  Vettel vs Alonso em Silverstone.

Aquela que foi uma das melhores lutas do ano foi também aquela que mais puxou pelos rádios dos carros. Vettel e Alonso, matando saudades de outros tempos em que lutavam pelo titulo, resolveram mostrar os seu argumentos em pista e brilharam. Mas mostraram a sua faceta “competitiva” com um chorrilho de queixas e choros na rádio, usando a técnica do “foi ele que fez”, misturando com um pouco de “foi ele que começou”. Ainda assim um dos grandes momentos do ano.

 

Maior desilusão do ano: Ferrari / Kimi Raikkonen.

Foto: XPB Images
Foto: XPB Images

Se a Ferrari já nos tem habituado a ver enormes quantidades de dinheiro gastas para nada, este ano foi mais visível essa faceta da Scuderia. Um carro que aerodinâmicamente era aceitável mas que tinha um motor fraco. Tão fraco que nem o milagreiro Alonso conseguiu levar a luta até ao fim. Uma desilusão para a única equipa que tinha possibilidade de fazer um trabalho tão bom como o da Mercedes.  E como uma desilusão não vem só, é na Ferrari que se encontra a outra grande desilusão do ano… Kimi Raikkonen. O Iceman é capaz de fazer muito melhor. Todos esperavam uma luta de galos na Scuderia, mas Kimi foi engolido por Alonso e não teve hipótese de mostrar o que vale. Não houve uma corrida em que se visse o verdadeiro Iceman. Uns rasgos aqui e ali mas nada como nos anos da Lotus.

 

Pior piloto do ano: Maldonado

Foto: XPB Images
Foto: XPB Images

Bom, este também é fácil. Pastor Maldonado acumulou erros, com acidentes, com saídas de pista (a saída na China ainda hoje é um dos momentos mais hilariantes de 2014). A verdade que a fama de Kamikaze já o persegue e demorará muito até ele largar esse rotulo (se é que alguma vez o vai largar). Mas Pastor é daqueles pilotos que não desilude. Está sempre no centro da acção. Um toque aqui, um carro virado ali, uma asa a voar acolá. O homem está em todas.

 

 

 

Pior carro: Sauber C33

Foto: XPB Images
Foto: XPB Images

Um carro que teve muitas dificuldades desde início. Primeiro foi o problema do peso que foi tratado, depois veio à tona o problema do motor Ferrari que não dava para grande coisa. Depois de um final de 2013 positivo, a Sauber errou em tudo que podia errar e colocou o seu futuro em perigo. Para uma equipa que já foi o 5º melhor construtor da F1, há muito trabalho pela frente para recuperar.

 

 

 

Melhor rookie: Kevin Magnussen

Foto: XPB Images
Foto: XPB Images

O jovem dinamarquês tem agora o lugar em perigo na McLaren, mas durante o ano fez o que pôde para conseguir os melhores resultados. Poderíamos falar de Kvyat para melhor rookie, e dar o desconto pelos poucos pontos conquistados pelo facto de pertencer a Toro Rosso. Mas seguindo essa linha, temos de dar o desconto a Magnussen por estar numa equipa em fase de reconstrução e com muita instabilidade. Para nós Magnussen é melhor e como tal merece o prémio.

 

 

 

Pior momento: Suzuka

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Foto: XPB images

Infelizmente 2014 teve muito momentos maus também.  A polémica das dietas loucas dos pilotos, os jogos de poder, as desistências da Marussia de da Caterham, as declarações de Bernie… Mas o pior momento sem dúvida foi o acidente de Bianchi em Suzuka. Bianchi, que era sem duvida um dos talentos mais apetecíveis do grid, luta agora pela sua vida. Um momento triste e que nos faz pensar no que se pode e deve melhorar ainda na F1 para que isto nunca mais aconteça.

 

 

 

Pior circuito/ Pior corrida: Sochi, Rússia

O traçado era novo, mas desde inicio que não nos chamou muito à atenção. E na corrida viu-se que realmente não é nada do outro mundo. Foi uma corrida sem sal onde Hamilton venceu sem oposição e Rosberg fez questão de mostrar que os Mercedes estão bem à frente de todos os outros, recuperando do ultimo lugar até ao 2º.

 

Momento decisivo do ano: O toque de Rosberg a Hamilton em Spa

Foi onde a sorte do campeonato ficou decidida. Rosberg quis ser o mais forte e marcar a sua posição. Com isso tocou em Hamilton, foi criticado dentro e fora da equipa e perdeu a vantagem psicológica que tinha em relação a Hamilton.  A partir dai foi sempre a descer. O alemão nunca mais foi o mesmo e perdeu o campeonato por ter sentido o golpe que foi ter todos contra si, um pouco injustamente diga-se. Se fosse ao contrário as reacções talvez seriam diferentes.

 

Carro mais bonito: Williams

foto in: f1fanatic
foto in: f1fanatic

Rever as cores da Martini na F1 soube bem. Muito bem. O carro tem aquele nariz típico de 2014, mas o esquema de cores é fantástico. E para além disso, o carro representa o regresso aos bons momentos da Williams. Que venha o de  2015 sem os narizes “fálicos”.

Equipa que mais cresceu: Williams

A entrada de Claire Williams, Pat Symonds  e Rob Smedley trouxe organização e clarividência que a equipa precisava. Depois de uma das piores épocas de sempre em 2013, a equipa  regressou aos pódios de forma regular e mostrou que está no bom caminho para voltar a ser a Williams que uma vez conhecemos. Vencedora. Uma grande parte da fatia do sucesso vai para Claire Williams que conseguiu trazer para a equipa as pessoas certas. A equipa está em boas mãos.

 

 

Fábio Mendes

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