F1: Os campeões (parte II)

Damos seguimento ao artigo de ontem, desta vez com os campeões da década de ’60. Nomes como Jim Clark, Graham Hill ou Jackie Stewart, fazem parte do nosso imaginário desde criança, por isso prestamos homenagem aqueles que são os verdadeiros Campeões!

1961 – Phill Hill (Título de construtores: Ferrari)

Phil Hill, Ferrari, no Mónaco
Phil Hill, Ferrari, no Mónaco

Com a introdução nesse ano, dos novos motores de 1.5-Litros a Ferrari ganhou novo fôlego. A Scuderia preparou-se bem e colocou o novo V6 “nariz de tubarão”, acima dos antiquados 4 cilindros dos construtores britânicos. A primeira corrida do ano correu mal à Ferrari, com Moss a vencer à frente de Dan Gurney, que era o piloto da estreante Porsche, e dos pilotos da Scuderia, Phill Hill, Ritchie Ginter e Wolfgang von Trips. Embora Stirling Moss tenha impressionado com algumas vitórias, a luta pelo título decidiu-se entre os Ferrari de Phill Hill e o von Trips. Foi por essa luta, quando von Trips era líder do Campeonato, que em Monza o alemão morreu. O líder do campeonato embateu contra o Lotus de Jim Clark e saíram de pista, matando mais 12 pessoas. O título estava entregue a Hill. No top 3 de ´61 ficaram, Phill Hill, Wolfgang von Trips e Stirling Moss. Entre as equipas, a Ferrari ganhou o título, levando a melhor sobre a Lotus-Climax e a estreante Porsche.

1962- Graham Hill (Título de construtores: BRM)

Graham Hill, BRM em Nürburgring
Graham Hill, BRM em Nürburgring

Em 1962 a BRM não se ficou e mostrou ao Mundo o seu novo V8, mesmo tendo sofrido oposição dura, também do novo, V8 da Climax que equipava várias outras equipas. A primeira corrida de Graham Hill com a BRM foi em Goodwood, onde Stirling Moss teve o acidente que colocou o ponto final na sua carreira. Embora tivesse recuperado totalmente do acidente, Moss nunca mais competiu na F1. Hill ficava com a concorrência feroz de Jim Clark, que tinha ao seu dispor no Lotus 25, além do Climax V8, o revolucionário chassis de monocoque. Hill venceu o título na última corrida após a desistência por falha de motor de Clark. Hill foi Campeão do Mundo com 4 vitórias, dois 2º lugar e 12 pontos de vantagem para o segundo do ano, Jim Clark. Bruce Mclaren foi 3º da classificação por pilotos. O top 3 das equipas foi composto pela campeão BRM, pela Lotus e pela Cooper.

1963 – Jim Clark (Título de construtores: Lotus)

Jim Clark, Lotus
Jim Clark, Lotus

A nova época trazia 10 corridas e apenas os 6 melhores resultados contavam para as contas do campeonato. A Porsche e a Bowmaker-Yeoman decidiram abandonar o campeonato, ficando John Surtees sem equipa, decidindo-se pela Ferrari, que estava também em remodelação depois das saídas do engenheiro Carlo Chiti e dos pilotos Phill Hill e Giancarlo Baghetti. Chiti fundou a sua própria equipa, a ATS, colocando os primeiros carros nas mãos dos pilotos que com ele trabalharam na Ferrari. A equipa não durou muito tempo, apenas esse ano.

Jim Clark venceu 7 das 10 corridas do ano, tornando-se no novo Campeão do Mundo a três corridas do fim, com Graham Hill e Ritchie Ginther a fecharem o top 3. Os três primeiros construtores eram todos britânicos: a Lotus venceu, a BRM em 2º e a Brabham em 3º.

1964 – John Surtees (Título de construtores: Ferrari)

John Surtees, Ferrari em Zandvoort (Sutton Images)
John Surtees, Ferrari em Zandvoort (Sutton Images)

A Ferrari produziu para ’64 um novo motor V8 e equipou o chassis do ano anterior com essa nova unidade motriz. O resultado foi a vitória de John Surtees no final da época, mas não sem ter de abandonar nas 3 primeiras corridas. Nesse ano, Jochen Rindt estreou-se nos Grand Prix na Áustria e foi a vez de Brands Hatch receber o Grande Prémio da Grã-Bretanha.

John Surtees reinou em ´64 tendo sido o único que até hoje, foi campeão nas motos e nos carros. Atrás de Surtees ficaram Graham Hill e Jim Clark. Em termos de construtores, a Ferrari levou o troféu, com a BRM e Lotus a terminarem o pódio.

1965 – Jim Clark (Título de construtores: Lotus)

Jim Clark tinha perdido a possibilidade de ser bicampeão em ´64 devido aos problemas mecânicos do Lotus e para o novo ano, a equipa montou no carro um novo motor de 32 válvulas, que lhe conferiam a fiabilidade necessária para serem campeões. O talento de Clark era notório, mas nesse ano nasceu uma nova estrela, o também escocês Jackie Stewart. No Grande Prémio da África do Sul, Clark foi o mais forte, levando a melhor ao Surtees e Hill, mas em 6º, a pontuar pela primeira vez, estava Stewart. O jovem Jackie tinha tido convite Lotus, da Cooper e da BRM, para pilotar um dos seus carros. Entretanto a Lotus obrigou Clark a competir na Indianapolis 500 e o piloto liderou a prova durante 190 das 200 voltas da prova, mas falhou o GP do Mónaco, onde Hill aproveitou e venceu, tornando-se o “Rei de Monte Carlo”, com 3 vitórias consecutivas no circuito monegasco.

No final da época, Clark terminou o campeonato com 54 pontos repetindo o resultado de ´63 e garantindo mais um título mundial. Em 2º ficou Graham Hill e em 3º o jovem Jackie Stewart. No campeonato de construtores, a Lotus venceu, com a BRM em 2º e a Brabham em 3º.

1966 – Jack Brabham (Título de construtores: Brabham)

Jack Brabham, Brabham em Brands Hatch (© Schlegelmilch)
Jack Brabham, Brabham em Brands Hatch (© Schlegelmilch)

Ainda Jack Brabham era o piloto reinante na F1 e já pensava em ter a sua própria equipa e foi o que fez, mas a Cooper (equipa onde foi Campeão) não gostou muito, já que acusaram o antigo piloto de roubar algumas das suas ideias. Em 1966 mais dois outros pilotos saíram das equipas para quem pilotavam para montarem as suas próprias equipas: Dan Gurney fundou a Eagle e Bruce Mclaren fundou a histórica Mclaren.

A Lotus tinha montado o novo motor H16 nos seus carros, mas os abandonos e os maus resultados foram uma constante nesse ano, tendo Jim Clark apenas ganho em Watkins Glen, em New York. Foi por isso mais fácil a vitória de Jack Brabham, com a sua própria equipa, no final de temporada, seguido de John Surtees e Jochen Rindt. Brabham venceu o título de construtores, relegando a Ferrari e a Cooper para os restantes lugares do top 3.

1967 – Denny Hume (Título de construtores: Brabham)

Denny Hulme, Brabham no Mónaco
Denny Hulme, Brabham no Mónaco

A primeira corrida de ´67 foi no novíssimo circuito sul-africano de Kyalami, onde Pedro Rodriguez venceu com a Cooper-Maserati. A primeira vitória de um Brabham aconteceu no Mónaco, com o piloto Denny Hulme a cruzar a linha de meta à frente de Graham Hill. Esse GP foi ensombrado pela morte do piloto italiano Lorenzo Bandini, da Ferrari.

Quem venceu o titulo de pilotos nesse ano foi Denny Hulme, com apenas 5 pontos de vantagem para o seu colega de equipa/patrão, Jack Brabham que terminou em 2º. Em 3º ficou Jim Clark. Em termos de construtores, a Brabham conseguiu novamente o título, com a Lotus e a Cooper no pódio.

1968 – Graham Hill (Título de construtores: Lotus)

Jim Clark venceu o GP de abertura da época e com essa vitória, bateu o recorde de Fangio, com 25 vitórias em 72 GP´s, mas foi a sua última vitória, já que na corrida de Formula 2 em Hockenheim, Jim Clark faleceu. A Lotus contratou Jackie Oliver para substitui o bicampeão mundial recentemente desaparecido. ´68 foi também o ano da chegada dos primeiros patrocínios e publicidade nos carros, com a Lotus a perder a sua cor característica (verde e amarelo) e a trocar de nome. Passou a ser Gold Leaf Team Lotus com os carros pintados de vermelho, branco e dourado.

Jackie Stewart teve um acidente antes da corrida de Espanha, colocando-o de fora da competição durante algumas corridas. Entre elas, o GP de França, onde Jacky Ickx venceu pela Ferrari, na única prova do ano ganha por um carro sem motor Ford. Mais uma estrela nascia nesse ano, Mario Andretti, que fez a melhor volta nos treinos de Watkins Glen e até liderou a corrida durante algumas voltas, no seu Lotus-Ford.

Quem venceu o campeonato foi Graham Hill, na última prova, relegando Jackie Stewart e Denny Hulme para as posições secundárias. A Lotus venceu o campeonato de construtores, contra a Mclaren e a Matra Ford.

1969 – Jackie Stewart (Título de construtores: Matra)

Jackie Stewart, Matra em Nürburgring
Jackie Stewart, Matra em Nürburgring

Em ´69 a equipa de Stewart, a Matra decidiu colocar um ponto final na Formula 1, deixando a equipa nas mãos de Ken Tyrrell, assim como a Honda, a Cooper e a Eagle, que também desistiram da modalidade.

Jackie Stewart esteve imparável, ao vencer 3 GP’s nos primeiros 4 da época. Em Nürburgring foi 2º atrás de Jacky Ickx, que tinha trocado a Ferrari pela Brabham, enquanto Jochen Rindt trocou a equipa Brabham pela Lotus. Graham Hill sofreu vários ferimentos nos EUA, depois de um dos pneus rebentar. Estava de fora da corrida pelo título. Jackie Stewart venceu o campeonato, com Ickx em 2º e Mclaren em 3º. A Matra terminou à frente da Brabham e da Lotus.

Pedro Mendes

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