Top Gear: O fim de uma era

 

n3aow4vimzulv7exuuubFoi ontem, dia 28 de Junho que foi para o ar o último episódio da serie Top Gear. Uma das séries mais vistas do mundo que apaixonou milhões e com uma legião de fãs sem igual.

Aquilo que era um programa insípido sobre carros, iniciado em 1977, tornou-se um fenómeno por todo o mundo. Desde 2002, altura em que o programa tomou os moldes que lhe deram um sucesso sem igual, que temos vistos supercarros a desfazerem pneus, carros em 5ª mão passearem por paisagens tão deslumbrantes quanto inóspitas e 3 miúdos disfarçados de homens de meia idade, aproveitando uma amizade forte entre eles para nos mostrar o melhor que o mundo dos motores tem para oferecer.

A formula não era muito complicada. Pegar em carros e analisá-los de forma simples e divertida. O mundo está cheio de programas e revistas que falam de carros de forma aborrecida, onde os números aparecem em cascata, como se de uma brochura da marca se tratasse. E muitos deles se esquecem de algo importante. Para quem gosta, um carro é mais que uma ferramenta. É algo que tem de ser sentido também. E o Top Gear fez isso. Dizia-nos os números mais importantes, sem abusar na parte técnica e tentavam de uma forma exagerada mas entretida mostrar o que se sente ao conduzir o carro testado. E resultou às mil maravilhas. Todos nós a certa altura pensamos que este era o emprego de sonho… e ainda pensamos.

Top GearAlém disso o grande segredo do programa era a cumplicidade dos apresentadores. 3 amigos que viajam pelo mundo, para falar de máquinas de sonho e que, como os verdadeiros amigos, pregam partidas, tratam-se mal e tentam tudo para envergonhar-se uns aos outros, tudo a troco de uma bela gargalhada. Todos nós temos amigos assim. Todos nos conseguimos imaginar com aqueles dois amigos mais próximos a fazer aquilo que eles faziam.

É verdade que muitas vezes ficávamos sem entender se o carro era bom ou não, que os exageros eram mais que muitos e que no final começou a haver alguma falta de espontaneidade. Afinal eram 22 séries e 13 anos no ar. Era normal haver algum desgaste.

Mas Top Gear nunca passou de moda para os fãs. Quem gostava adorava. Mas o problema era quem odiava. Muita gente não gostava da grande boca de Clarkson. A sua forma politicamente incorrecta de falar incomodava muita gente e isso valeu uma espécie de perseguição. E já se sabe que quem gosta de andar no fio da navalha pode cortar-se muitas vezes. E com uma plateia muito atenta e pronta para apontar o dedo, era uma questão de tempo até que o programa fosse retirado do ar. Não podia ser de outra forma. Se Clarkson aceitasse acalmar a língua deixaria de ser Jezza. Assim o programa acabou não da melhor forma mas acabou “à homem”… sem nunca perder a identidade e acabando sem sentimentalismos exagerados.  Tal como foi sempre o desejo deles.

Sabemos que não será um até sempre mas sim um até já. Que um programa está na calha para subsituir o TG e que o próprio TG terá  nova vida. Mas por certo não será a mesma coisa. Veremos o que o futuro nos reserva.

top-gear-1Ficam no entanto muitas memórias e muitas gargalhadas dadas graças a Jezza (Jeremy Clarkson), o tipo mais politicamente incorrecto da tv, que tem como passatempo derreter pneus em Ferraris e Lambos e para quem o lema de vida é “Pooooooweeeer”, Hamster (Richard Hammond), o mais americano dos britânicos, que sobreviveu a uma morte quase certa nas filmagens de um dos episódios e que tem uma adoração pelos Paganis e pelos muscle car´s e Captain Slow (James May) o mais lento músico que tem como hobbie despejar copos de cerveja e limpar até à exaustão os seus carros mas capaz de um sarcasmo delicioso e de falar de tudo um pouco.

Mas o programa era bom também porque tinha uma equipa de produção 5 estrelas Presentearam-nos semanas a fio com imagens de cortar a respiração, bandas sonoras de elevada qualidade. Foram dos primeiros a filmar em HD e isso diz muito.

Falta falar do Stig. Um piloto anónimo capaz de pilotar um F1 da mesma maneira que anda de trotinete. Uma coisa com primos por todo o mundo e cujo o único objectivo é ser o mais rápido.Uma personagem que nunca disse uma palavra mas que é das mais carismáticas que a TV alguma vez viu. O único que deverá manter-se no novo Top Gear.

Top-Geat-StuntFoi um privilégio poder assistir a esta caminhada aos domingos. Vamos ter saudades. O ritual de chegar ao domingo à noite para ver Top Gear era delicioso. Dificilmente o Top Gear ou  o novo programa de Clarkson e companhia terá o mesmo efeito. Mas estas 22 séries foram do melhor que a TV já viu.

E por isso mesmo… obrigado. Ficaram-nos a dever o confronto do P1 com o LaFerrari e o 918 mas ainda vão a tempo de nos compensar.

 

 

 

Fábio Mendes

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