F1: Fernando Alonso – O melhor piloto desta geração? (Parte IV)

 

Quarto e último artigo sobre a carreira de Fernando Alonso. Os artigos anteriores podem ser lidos aqui, aqui e aqui.

 

Mudança para a Ferrari

 FOTO ERCOLE COLOMBO
FOTO ERCOLE COLOMBO

Estando a Renault envolta em escândalos e sem conseguir ser competitiva, Alonso é seduzido pela Ferrari em 2010, levando à criação de uma parceria que durou 4 anos. A estreia no Bahrain não podia ser melhor, com o espanhol a arrancar da 3ª posição e a concluir ultrapassagens ao colega Filipe Massa e a Sebastien Vettel, tornando-se o 5º homem da história a vencer a corrida de estreia pela Scuderia. Mas esta vitória não foi representativa dessa época nem das restantes, pois viviam-se tempos de hegemonia da Red Bull. Sebastian Vettel foi campeão por 4 vezes, deixando qualquer concorrência a milhas (não vou abordar o tema da ilegalidade dos difusores da Red Bull…Fica para outro artigo).

Mas dentro das limitações do monolugar, Alonso conseguiu ser vice-campeão em 2010 e 2012. A chegada à Ferrari é o sonho de qualquer piloto, mas Alonso não queria ser um piloto acomodado que atingiu o ponto máximo da sua carreira. A sua fome por títulos estava maior que nunca e pressionou sempre a Ferrari a tornar-se mais competitiva. Normalmente são os pilotos que não estão ao nível da Ferrari, mas neste caso a marca italiana não esteve ao nível do espanhol. Assumindo um papel de piloto dos anos 80-90, Alonso abandonou o politicamente correto e não se coibiu de criticar o carro que tinha em mãos. A Ferrari acabou por não subir o nível e a Alonso começou a ficar desiludido. A sua melhor hipótese de lutar por títulos, a Red Bull, estava focada no desenvolvimento da sua academia e não contemplava o orçamento necessário para pagar o que o espanhol valia.

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A ruptura no casamento aconteceu quando Sergio Marchionne substituiu Luca di Montezemolo na Presidência da Ferrari. Era sabido que Marchionne queria operar uma verdadeira revolução na equipa e que um piloto tão próximo da antiga direcção teria de ser cortado também. Para além disso, o novo Presidente já tinha um plano montado para aumentar as audiências da Scuderia na Alemanha, através da contratação da nova coqueluche alemã: Vettel. No entanto a postura da Scuderia não foi a mais correta, optando por oficializar Vettel antes de firmar a saída de Alonso. Depois de conquistar 11 Grandes Prémios e ser Vice-Campeão por duas vezes, o espanhol merecia outro tipo de respeito. Tendo em conta as oportunidades do mercado, restava-lhe abraçar o novo projecto da McLaren-Honda ou tirar um ano sabático. Alonso, faminto, optou pela primeira.

 

Regresso à McLaren

foto: F1.com
foto: F1.com

O ditado diz que não devemos regressar à casa onde fomos felizes. Como este é o caso contrário, vou fazer uma nova versão: não devemos regressar à casa onde não fomos felizes. Muito se falou sobre se Alonso e Ron Dennis tinham posto o passado para trás das costas. Mas o verdadeiro problema não estava nas pessoas mas sim nos motores. O novo projecto da Honda para 2015 era interessante mas não maturou o suficiente antes de regressar à F1. E a realidade caiu com estrondo… Apesar de bater regularmente o colega ex-campeão do mundo, o melhor que o espanhol conseguia fazer era lutar pelas penúltimas posições. Os problemas da Honda já foram bastante discutidos, os japoneses recusam ter ajuda da McLaren e o comportamento em pista é igual a um GP2… Não é preciso dizer mais nada. Alonso nunca foi conhecido pela sua paciência e com desempenhos destes a frustração vem ao de cima.

 

Para finalizar

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Para o ano, conclui-se uma década de más decisões na carreira do espanhol. Como referi anteriormente, trabalho árduo e dedicação vêm sempre acompanhados da estrelinha da sorte. Estrelinha essa que abandonou Alonso em 2006 e até hoje não mais voltou. Mas não foi por falta de ovos que ele não conseguiu produzir omeletas saborosas. Alonso sempre teve o mérito de conseguir espremer o máximo dos desafios que lhe foram dando, levando monolugares medianos muito além do previsto. Estas palavras surgem na boca da maioria dos mecânicos que com ele trabalharam. Quem melhor que eles para julgar o que o piloto faz do carro?

E como também já referi, não há vergonha nenhuma em admitir que os outros fizeram um trabalho melhor. Durante estes 10 anos, Alonso teve sempre um rival em melhor forma, sempre que transitou para outra equipa. E azar dos azares, as equipas de onde saia só investiam fortemente na competitividade no ano seguinte – o caso mais gritante é o da Ferrari este ano, que teve uma revolução completa nos seus recursos humanos e canalizou um investimento muito superior ao que aconteceu nos últimos 5 anos. Se Alonso tivesse no ano passado as condições e o carro que Vettel tem este ano, ninguém duvide que o desempenho fosse semelhante ou melhor.

 

foto in: f1aldia.com
foto in: f1aldia.com

Para além disso, a estatística vem reforçar que o espanhol é o piloto mais consistente da sua geração:

  • 1º Lugar em 2005;
  • 1º Lugar em 2006;
  • 2º Lugar em 2007, terminando a 1 ponto do 1º lugar
  • 2º Lugar em 2010, terminando a 4 pontos do 1º lugar;
  • 2º Lugar em 2012, terminando a 3 pontos do 1º lugar;

Tudo somado e Alonso ficou a 8 pontos de ser Penta-Campeão Mundial.

E as mesmas palavras que repetia quando se estreou na F1, voltam agora a percorrer a sua mente: “Dêem-me um carro competitivo e eu consigo ser melhor que eles!”. Mas tal não aconteceu e Alonso chega aos 36 anos numa encruzilhada profissional. Respeito a sua vontade de acabar a carreira na McLaren-Honda e continuar a assumir o desejo de um 3º título nesta equipa, mas Alonso ainda tem tanto para dar ao mundo automobilístico que chega a ser confrangedor vê-lo a lutar pelos últimos lugares da grelha. Quem sabe não abandona a Formula 1 e redescobre os pódios noutra qualquer modalidade.

Sempre gostei da raça de Hamilton, frieza de Raikonnen, consistência de Vettel ou a classe de Button. E mesmo sem serem campeões, vibrei com a garra de Montoya ou a matreirice de Trulli. E sabem que mais? Juntando tudo numa só pessoa, tenho um piloto completo. E nesta geração, quem eu vi mais próximo desse estatuto foi Fernando Alonso. Mesmo que não volte a ser campeão, o título de um dos melhores pilotos desta geração não lhe tiram. Ponto final, parágrafo.

 

Marcos Gonçalves

 

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