Chicane Classics – Grande Prémio de França – 1999

Porque o passado muitas vezes indica o rumo para o futuro, passamos em revista as corridas que por algum motivo fizeram história. Ontem no Facebook colocamos uma foto em que perguntavamos que piloto venceu uma corrida com a perna partida. A resposta era Heinz-Harald Frentzen, no GP de França de 1999. Recordamos então essa corrida

 

 

heinz_harald_frentzen__france_1999__by_f1_history-d5okw8bA sétima corrida do Mundial de Fórmula 1 de 1999 marcava o regresso a território europeu, depois do Grande Prémio do Canadá. Agora era a vez do circuito de Magny-Cours acolher o Grande Prémio de França, naquela que foi uma das melhores corridas desta temporada, que foi tudo menos previsível.

A Mãe Natureza não deu tréguas durante o fim de semana e a qualificação foi marcada pela chuva. Com isto, a grelha tinha um aspeto muito diferente. Rubens Barrichello (#16) (Stewart-Ford) assinou a pole position, a sua segunda da carreira, e aquela que viria a ser a única da Stewart Grand Prix.
Em segundo estava o herói local, Jean Alesi (#11) (Sauber-Petronas), e Olivier Panis (#18) colocou o seu Prost-Peugeot em 3º. Estava a ser um bom momento para os franceses. É importante referir que estes pilotos colocaram as suas voltas mais rápidas no início da qualificação e aproveitaram o facto das condições da pista estarem piores a partir dos últimos 40 minutos para conseguirem manter estas posições.
David Coulthard (#2) era o 4º no melhor McLaren-Mercedes, Heinz-Harald Frentzen (#8) colocou o seu Jordan-Mugen Honda em 5º e Michael Schumacher (#3) partia do 6º lugar no Ferrari.

Mais atrás, o campeão do mundo em título e líder do Mundial de Pilotos à entrada do GP de França, Mika Häkkinen (#1), não foi além do 14º lugar com o McLaren-Mercedes. Eddie Irvine (#4) estava ainda pior, não indo além do 17º lugar no Ferrari e cinco pilotos falharam o limite da regra dos 107%. Foram eles Damon Hill (#7) (Jordan-Mugen Honda), que estava seriamente a pensar em retirar-se do desporto ainda antes do final da temporada, os dois Minardi-Ford de Marc Gené (#21) e Luca Badoer (#20) e os Arrows de Pedro de la Rosa (#14) e Toranosuke Takagi (#15).
Compreensivelmente, devido às más condições atmosféricas, estes pilotos tiveram permissão para arrancar para a corrida.

F1 GP DA FRANÇA 1999.avi_snapshot_00.00.03_[2013.01.04_15.06.22]No arranque, com piso seco mas com nuvens negras a chegarem rapidamente ao circuito, Rubens Barrichello não teve dificuldades e manteve a liderança, com Jean Alesi em 2º e David Coulthard imediatamente a passar Olivier Panis para subir ao 3º posto.
Panis perdeu mais duas posições à chegada do gancho Adelaide para Heinz-Harald Frentzen e Michael Schumacher. Mais atrás, Mika Häkkinen arriscava tudo e subia do 14º para o 9º lugar em apenas uma volta.

Na segunda volta, Coulthard subia ao 2º lugar, passando por Alesi em Adelaide, e ia à caça de Barrichello, que tinha uma vantagem de um segundo.

Na volta 5, Häkkinen entrava nos pontos ao passar por Panis, chegando ao 6º lugar. A partir daqui o finlandês teria mais trabalho para subir posições.
Na volta seguinte, Coulthard levou a melhor sobre Barrichello, travando muito tarde para Adelaide, e aguentou-se bem na saída da curva, usando a potência superior do seu motor Mercedes-Benz. Coulthard era o novo líder.

Michael Schumacher e Mika Häkkinen estavam agora em luta direta pelo 5º lugar. O facto interessante era que Schumacher era incapaz de se manter com os líderes e não era tão rápido em reta, porque o alemão estava a usar uma afinação para a chuva.
Após uma tentativa falhada, depois de uma boa defesa de Schumacher, Häkkinen conseguiu passar Schumacher em Adelaide para subir ao 5º lugar, que rapidamente se tornou num 4º lugar quando Coulthard abrandou e, consequentemente, ficou parado na relva com uma falha elétirca na volta 10, somando o seu quarto abandono da temporada em sete corridas, num início de temporada frustrante para o britânico.
Isto voltou a colocar Barrichello na liderança, com uma vantagem de quatro segundos para Alesi.

CIfUPTBWIAAYa7FHäkkinen pressionava Heinz-Harald Frentzen e na volta 15 conseguiu manter-se perto do alemão na curva Estoril, ganhou muita velocidade e repetiu a manobra que já tinha feito a Panis e a Schumacher. Frentzen tentou responder e colocou-se lado a lado, estando no interior para a chicane Nürburgring, mas preferiu ter cautela e concedeu o 3º lugar ao finlandês.
O próximo alvo de Häkkinen era Alesi. Embora o motor Ferrari (com o nome Petronas) no Sauber fosse menos potente, o francês era capaz de resistir aos ataques do McLaren.
Na volta 19 acontece um dos grandes momentos da corrida. Häkkinen coloca-se lado a lado para Adelaide com Alesi. O francês estava por fora e bloqueou as rodas. Häkkinen comprometeu a sua travagem e ambos foram quase para fora da pista. O vencedor deste duelo foi Häkkinen, que conseguiu sair primeiro do gancho.

Häkkinen reduziu a diferença para Barrichello mas agora a chuva começava a cair, na volta 21. Eddie Irvine estava já no 10º lugar e tomou uma decisão de parar nas boxes imediatamente assim que viu o Benetton-Playlife de Giancarlo Fisichella (#9) a fazer um pião na última chicane, mas os mecânicos não estavam preparados e Irvine perdeu 30 segundos.
Rapidamente o resto do pelotão foi para as boxes para colocar pneus de chuva forte, mas não aconteceram mudanças entre os primeiros classificados. É de realçar que Heinz-Harald Frentzen teve uma paragem mais demorada, apesar de não ter perdido posições, porque a equipa apostou numa intervenção prolongada do Safety Car, e encheu o depósito do Jordan até ao limite, numa tentativa de não fazer mais paragens até ao fim da corrida.
Damon Hill sofreu um furo, possivelmente depois de um toque na saída das boxes, e viria a abandonar pouco depois.

Na volta 25, Jean Alesi terminava uma corrida inspirada. O francês aquaplanou na curva Estoril e o Sauber ficou preso na gravilha.
O Safety Car foi chamado à pista, com a chuva a ser muito intensa. Atrás do Safety Car três pilotos chegaram a perder o controlo dos seus carros.

Ao fim de 10 voltas atrás do Safety Car, a corrida recomeçava na volta 36. Barrichello liderava na frente de Häkkinen, Frentzen, Schumacher e os dois Prost-Peugeot de Panis e Jarno Trulli (#19).

Os pilotos tentavam ser cuidadosos nas primeiras voltas, e o spray ainda era imenso. Apenas Barrichello é que tinha boa visibilidade.

Häkkinen arriscou, colocou-se no interior em Adelaide na volta 39 e fez um pião, ao passar sobre a linha branca que marca o limite da pista. Este pião fê-lo cair para 7º, atrás do Williams-Supertec de Ralf Schumacher (#6), que já vinha no 6º lugar, depois de arrancar de 16º. O finlandês chegou a ser passado por Eddie Irvine, que tentava recuperar da sua decisão prematura de colocar pneus para chuva.
Na volta seguinte, Schumacher colocou o seu talento à prova, juntamente com a sua afinação para a chuva e, apesar de não ver com o spray, fez uma ultrapassagem brilhante a Frentzen, e subia ao 2º lugar.

Schumacher chegou-se rapidamente a Barrichello e fez um primeiro ataque na volta 42. O alemão tentou bloquear a meio do gancho Adelaide mas “Rubinho” fez a tesoura e manteve a liderança.
Duas voltas depois repetiu-se esta situação, mas desta vez Schumacher travou no sítio certo, não deu hipótese no interior da curva e passava para a liderança da corrida.

frentzen_1999_france_01A partir daqui Schumacher afastou-se do pelotão, ganhando mais de um segundo por volta.
Ralf Schumacher pressionava Olivier Panis para o 4º lugar, com Irvine e Häkkinen a juntarem-se nesta luta, que os estava a fazer perder tempo para os líderes. Ralf acabou por passar o francês.

Irvine foi o primeiro a fazer uma segunda paragem na volta 50. Isto promoveu Häkkinen ao 6º lugar, e não perdeu tempo em atacar e a passar Panis para o 5º lugar.
Entretanto, a vantagem de 10 segundos de Michael Schumacher esfumou-se, graças a um problema elétrico que causou um problema na seleção da caixa de velocidades. Schumacher perdeu 10 segundos mas ainda era líder.
Nas boxes, a equipa aparecia pronta para lhe fazer uma segunda paragem, mantendo pneus de chuva, e estava tudo pronto para ser feita uma troca no volante do Ferrari.

Ralf Schumacher parou na volta 52 e caiu para 7º, na frente de Irvine, que teve depois uma breve saída de pista.
Häkkinen procurava de novo passar por Heinz-Harald Frentzen, que por sua vez pressionava Barrichello.

Michael Schumacher parou na volta 54 e a equipa colocou um volante novo, apesar de ter perdido cinco segundos com a troca de volante. O alemão caiu para 6º e, pela terceira vez na corrida, Barrichello recuperava a liderança da corrida.

Häkkinen estava frustrado por não encontrar forma de passar o Jordan amarelo à sua frente, mas na volta 57 o finlandês fez muito bem a curva Estoril, colocou-se lado a lado muito cedo e passou Frentzen que, ao travar tarde para Adelaide, acabou por ir demasiado largo na curva.

O campeão do mundo estava fixado em Barrichello. Na volta 59 chegou a estar lado a lado no vértice da curva Adelaide, o sítio tradicional de ultrapassagens, mas o brasileiro saiu muito melhor e mantinha a liderança.
Na volta seguinte, Häkkinen conseguiu passar Barrichello ainda antes de travar para o gancho. Mika era o novo líder da corrida.

Em Adelaide, Heinz-Harald Frentzen, ainda em 3º, dobrava Pedro de la Rosa quando teve um pequeno problema na seleção da caixa de velocidades que lhe custou cinco segundos.
Na frente, Häkkinen rodava agora três segundos por volta mais rápido do que Barrichello, mas faltava agora a questão estratégica que poderia resolver a corrida.

Na volta 66, a apenas seis do fim, Häkkinen e Barrichello pararam nas boxes e perderam posição para Heinz-Harald Frentzen. Frentzen era o novo líder da corrida e tinha pouco mais de três segundos de vantagem para Häkkinen.
A opção estratégica da Jordan estava a resultar em pleno. O combustível que Frentzen poupou atrás do Safety Car foi suficiente para não necessitar de fazer mais uma paragem até ao fim da corrida. Conseguiria Häkkinen, com pneus de chuva novos, passar Frentzen nas últimas cinco voltas?

Michael Schumacher não conseguia andar num ritmo elevado e tinha agora a pressão do seu irmão Ralf e do seu colega de equipa, Irvine, que se desembaraçara de Panis algumas voltas antes. Em jogo estava o 4º lugar.
Irvine arriscava tudo para passar Ralf, e ainda tentou uma manobra quase impossível na última curva, na volta 69, mas sem sucesso.
Na volta seguinte, Ralf conseguiu aproximar-se do seu irmão, colocou-se por fora em Adelaide, fez a tesoura e passava para o 4º lugar.

Häkkinen tentou aproximar-se de Frentzen mas nas últimas voltas até chegou a perder tempo e Frentzen só tinha que manter o seu Jordan amarelo entre as linhas brancas da pista.

1052529_574520029267133_1782671906_oDepois de uma corrida fantástica, Heinz-Harald Frentzen, que ainda recuperava de uma fratura no joelho após um acidente no Canadá, venceu o Grande Prémio de França. Esta foi a sua segunda vitória na Fórmula 1, a primeira desde o Grande Prémio de São Marino de 1997 e dava à Jordan a segunda vitória para a equipa, que tinha vencido uma dobradinha na Bélgica no ano anterior, também numa corrida à chuva.

Mika Häkkinen terminou no 2º lugar e ficou satisfeito com o resultado. O finlandês confessou ter adorado a corrida, e mantinha-se na frente do mundial.

Rubens Barrichello foi o piloto que passou mais tempo na liderança mas não teve carro para lutar pela vitória na fase final da corrida, e preferiu ser muito cuidadoso até ao fim para registar o seu segundo pódio da temporada.

Ralf Schumacher, tal como Mika Häkkinen, fez uma bela recuperação para levar o seu Williams ao 4º lugar, batendo o seu irmão Michael Schumacher, que foi 5º, e Eddie Irvine foi 6º para fechar os lugares pontuáveis.

A fechar os 10 primeiros ficaram os dois Prost de Jarno Trulli e Olivier Panis, Ricardo Zonta (#23) terminava pela primeira vez uma corrida na Fórmula 1 com o ainda problemático BAR-Supertec em 9º e Luca Badoer foi 10º no seu Minardi-Ford.

 

Jorge Covas

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