Nasr vs Ericsson: A verdade dos números

Já ouvimos por diversas vezes, que o maior adversário de um piloto, é o seu colega de equipa. A expressão ganha ainda mais importância, quando um piloto ainda demonstrou pouco ou nada para continuar na actual equipa (mas acima de tudo na F1) e havendo sempre a questão chave… Os patrocínios são um factor em que estas equipas mais pequenas não são indiferentes.

A entrada do brasileiro na F1, foi encarada com algum entusiasmo. Nasr não era desconhecido perante os espectadores mais atentos, a qualidade era reconhecida, a expectativa em torno dele era considerável. Mas existe mais um factor, que coloca Nasr à prova… ser brasileiro. Para alguns pode ser um detalhe, para outros nem por isso. A verdade é que o Brasil tem uma grande ligação com a F1, por razões óbvias e vamos-nos escusar de referir os grandes nomes da F1 que saíram de terras de Vera Cruz. Os brasileiros, procuram sempre pelo novo Senna, o que acaba por ser injusto. Senna era Senna e comparar qualquer piloto com Senna, coloca-o numa posição difícil e basta ver muitas vezes a forma como os próprios brasileiros tratam Massa e Barrichello (e o próprio Nasr), bons pilotos mas que não poucas vezes foram alvo de críticas exageradas.

Mas procurar um novo herói em pista, um piloto que volte a trazer o entusiasmo e que transporte toda uma nação à euforia, é legítimo e perfeitamente normal. A passagem de testemunho de Massa para  Nasr era vista como perfeita. Se havia piloto brasileiro que podia fazê-lo a curto prazo, teria de ser Nasr.

Já Ericsson, era encarado como apenas mais um “para encher”. Vamos ser sinceros, ninguém levava Ericsson muito a sério e ninguém esperava que pudesse fazer frente ao brasileiro.

 

Foto: Facebook Sauber
Foto: Facebook Sauber

No início da temporada de 2015, a Sauber mostrou-se com as garras de fora, com andamento para andar a disputar posições bem apetecíveis, algo que se foi esfumando algumas corridas depois. E o seu maior pupilo, demonstrou que a expectativa depositada nele, não era em vão, confirmando-a com um soberbo quinto lugar na Austrália, seguido de um 6º na Rússia. Já o sueco, o máximo que conseguiu foi um 8º lugar.

Falando em números, por vezes as análises que se fazem a partir deles podem ser consideradas subjectivas, por serem apenas um resultado, esquecendo tudo o que aconteceu para que esse mesmo resultado se tornasse real. Mas quando analisamos uma época, os números não podem ser assim tão distantes da verdade e da realidade.

A época que vai ser analisada é a de 2015. Porque é a única época que se pode comparar entre os dois, com “armas iguais”… em princípio.

Na qualificação os números são claros, Nasr ficou por 12 vezes a frente do Ericsson, o sueco apenas o conseguiu por 7 vezes.

Na corrida, existem alguns factos surpreendentes, que tem de ser levados em consideração. Por norma, diríamos que o Nasr levou a melhor sobre o Ericsson, porque fez 27 pontos, face aos apenas 9 do sueco. É verdade que o Nasr, fez um 5º e um 6º lugar, mas o sueco esteve por 6 vezes em lugares pontuáveis contra 5 do brasileiro. No duelo, em pista, houve um empate, ambos terminaram a frente um do outro por 10 vezes, números de facto interessantes.

Em tudo o resto o brasileiro foi melhor, nem que seja pelo lugar final no campeonato mas também pela importância que teve no ceio da equipa, onde fez 75% dos pontos da Sauber no mundial dos construtores, três vezes mais que o Ericsson. Podemos dizer que o brasileiro, foi superior, mas o sueco causou alguma surpresa face aos resultados apresentados em pista, isso não o podemos negar.

 

Uma equipa em guerra aberta

A temporada de 2015, ficou para trás e a de 2016 veio, com a confirmação da mesma dupla de pilotos para a presente época. Ambos com patrocínios de peso, Nasr com o Banco Brasil e o Ericsson com a Tretapak e numa situação tão delicada financeiramente, decerto que a Sauber não gostaria de deixar fugir qualquer um dos dois pilotos.

Já existem rumores de algumas propostas, em cima da mesa, e a hipótese Alfa Romeo é a mais cativante (o grupo Fiat pondera comprar a equipa suíça e fazer regressar assim um nome mítico da modalidade). Mas existe a proposta de um investidor sueco, o dono da Tretapak. Esse mesmo investidor é nada mais, nada menos, o “apoio” da carreira de Marcus Ericsson. O que pode explicar muita coisa.

O ano de 2016, está a ser quase catastrófico para a Sauber, mas para o Ericsson não é caso para tanto, pois bateu o seu colega de equipa por duas vezes (sempre que terminou as corridas) nas primeiras três corridas da temporada.

foto: Sauber
foto: Sauber

Para explicar tal resultados, Nasr afirmou que o seu carro é pior que o Ericsson. O monolugar do sueco é o monolugar que foi conduzido nos testes de pré-época e construído na sede da equipa com todas as condições e o do brasileiro foi construído à pressa, nas boxes, em Melbourne. Porquê? De certeza que fazem alguma ideia da razão. Não faz sentido, dar o pior monolugar ao piloto que lhes dá mais garantias de sucesso e dar o melhor monolugar ao piloto que dá menos garantias de sucesso. Uma jogada de bastidores? Quem sabe.

O clima entre os dois pilotos, também não é dos melhores. Já no ano passado, o “staff” de Marcus Ericsson, dizia que o brasileiro era o típico piloto que quando ganhava, ganhava sozinho mas quando perdia, perdia com a equipa.

Nestes últimos dias, as críticas foram duras. Nasr queixou-se do seu monolugar para explicar os resultados do Sueco. Já Ericsson acha que está a bater constantemente o seu colega de equipa porque é melhor: Eu já fui mais forte no final do ano passado. Trabalhei muito duro na pré-temporada para ser ainda mais forte neste ano, tenho confiança na equipa e no carro. Mostrei claramente quem é o piloto mais forte”.

 

Certo é que a Sauber está numa luta pela sobrevivência e que precisa que todos os elementos da equipa estejam unidos e esta guerra entre pilotos poderá ser prejudicial a uma equipa que neste momento tem os dias contados. Que futuro terá a equipa. E que futuro terão os pilotos. Tudo depende de quem entrar na equipa com dinheiro e quem mostrar mais capacidade para permanecer.

Daniel Leites

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.