F1 – Quantos GP no futuro?

Já é noticia que a Fórmula 1 passa por um momento de remodelação (ou revolução), agora que passou para a alçada da sociedade americana Liberty. Parece que até mesmo Bernie Ecclestone teve uma série de boas ideias para o desporto. Parece que Sir Bernie voltou aos anos de ouro da F1… mas todas as esperanças em tornar o Grande Circo de novo atractivo para os fãs, trazem outras noticias menos boas, como é caso do Governo malaio não querer renovar contrato com a F1 depois de 2018. Outros rumores dão conta da mesma decisão em Singapura e mesmo os GP mais clássicos, como é o caso de Itália e Alemanha, são ponderados e fazem correr tinta quase todos os anos. A justificação é que a F1 é muito cara e não traz muitos benefícios aos anfitriões.

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Porquê?

Para começar, e abordando primeiro os casos da Malásia (que já confirmou mesmo essa decisão de não receber a F1 depois do fim do contrato em 2018) e de Singapura, a questão apresentada de não haver o retorno esperado aos anfitriões, é facilmente explicada pelo facto da F1 não ser um caso de sucesso entre os habitantes locais, logo não traz muito público aos autódromos. Outra questão tem haver com os fãs, que são na sua maioria ocidentais da Europa e um pouco da América do Sul, não darem quase uma volta ao Mundo para assistir, por preços astronómicos, a um GP no sudeste asiático, em pistas que não são bem do seu agrado.

É sabido que a Malásia pagou este ano qualquer coisa como €91 Milhões, segundo o ministro do turismo malaio, 10 vezes mais que no primeiro ano e que as entradas em Sepang têm vindo a baixar. Para os malaios é hora de apostar mais no MotoGP, sendo este mais barato e mais popular no país.

A questão entre a F1 e Singapura pode muito bem ser mais um show de Ecclestone, já que foi ele que correu para os media a afirmar que a renegociação do contrato estava mal encaminhado, acusando até a cidade-estado ser “ingrata”. Dizem os jornais especializados que Singapura tem intenções de receber o GP depois de 2018, ano em que termina o seu contrato, mas conforme os seus próprios termos. Um dia depois de Bernie dizer que poderia estar em risco um futuro GP de Singapura, o mesmo veio a terreiro dizer que tinha sido erradamente citado pelos meios de comunicação e que esperava um longo contrato com os anfitriões de Singapura. Ups!

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Sendo assim, Singapura deve manter-se no calendário, mas então quantos GP’s devemos esperar para depois de 2018?

Pelas queixas das equipas que 21 GP’s, à semelhança deste ano, é demasiadamente desgastante e caro, devemos contar com 19 corridas, no máximo 20. Já sabemos que não estamos a fazer futurologia, que a história nos diz que o número de GP deve ser esse. No entanto, quem sairá e quem ficará?

Podemos contar com mais um GP em terras de Tio Sam, quase de certeza, porque parece ser essa a “promessa política” da Liberty e de Bernie. O todo poderoso da F1 já quis um GP em New York ou em New Jersey. A grande dúvida é que se o GP em Austin se mantém. Dos circuitos desenhados por Tilke, este é de longe o nosso preferido e as corridas no COTA são sempre boas. Parece-nos justo que se mantenha. Na Europa é que é possível que caía um GP, possivelmente o da Alemanha, tantas são as vezes que isso esteve para acontecer. 

Logo, Hockenheim deve seguir o caminho de Nurburgring e deixar de fazer parte do Grande Circo, facto que Toto Wolff já avisou que a Mercedes nada fará para que uma paragem na Alemanha se mantenha no calendário. Saíndo Sepang e Hockenheim, fica a F1 com caminho aberto para 20 GP’s, com a entrada de Las Vegas no calendário, com uma corrida nas ruas da cidade dos casinos à noite.

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O grande problema nesta caso é que, à semelhanças de outras competições motorizadas, a F1 começa a ter problemas em atrair público às pistas, exceptuando Mónaco, Itália, Grã-Bretanha, México e Brasil, onde os circuito costumam estar repletos. Cada vez mais o desporto motorizado é um espectáculo para ser comercializado através dos ecrãs e não ao vivo no circuito, neste caso a F1 foi uma das primeiras competições utilizar este meio. Com Bernie Ecclestone as TV’s levavam o espectáculo a casa dos aficionados em vez de os trazer aos circuitos. Como tal, em pleno século XXI o que deve mudar, é que podemos consumir F1 em qualquer lado sem precisar de estar em casa à frente da televisão, por isso será cada vez pior para os anfitriões recuperarem algum do investimento que fazem.

Pedro Mendes

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