F1 – Os problemas da McLaren e o truque da Ferrari

Um problema de más vibrações

Não estamos a falar de um estado de espírito mas sim de um problema muito técnico e grave para a Honda. Todos sabem que os testes da McLaren estiveram entre o muito mau e o horrível e a culpa é da Honda. A unidade motriz não mostrou ponta de fiabilidade, além da falta de potência. A falta de potência poderia ser resolvida mas enquanto o problema da fiabilidade subsistir, a Honda não tem como subir a potência sem mandar o motor pelos ares.

Mas afinal qual é o problema? Segundo a SkySports F1, o problema está nas vibrações que o motor produz que são de tal forma elevadas que o sistema eléctrico não aguenta e cede. Por isso é que o carro parou tantas vezes com problemas eléctricos…havia peças que não aguentavam a vibração do motor o que  levava o motor a parar.

É um problema grave, pois poderá ser de difícil resolução. Enquanto a Renault tem um problema no ERS que foi detectado no banco de testes e cuja solução já está preparada, a Honda não anteviu este problema, que pode estar relacionado com a nova filosofia do motor… e resolver isto vai ser uma dor de cabeça tremenda. E não há como não apontar o dedo a Honda por isto… é um erro grave que vai pôr em causa a época e provavelmente a relação entre marcas. Resta saber se a Honda vai ser capaz de resolver a situação num espaço de tempo razoável. Mas para já todos estão preparados para um início de época mau.

 

Ferrari saiu da casca e resolveu inovar

Muitos especialistas apontaram  muitas vezes o dedo à Ferrari por apostar em conceitos pouco inovadores e não tentar soluções novas. Este ano a Scuderia fez aparentemente um excelente trabalho e conseguiu surpreender toda a gente e até Newey ficou surpreendido com a astúcia da Ferrari.

O primeiro grande truque está nas entradas de ar laterais e tudo o que as envolve (os chamados sidepods, em inglês). Dada a maior liberdade para colocar apêndices aerodinâmicos nessa zona, as equipas apostaram muito no desenvolvimento dessa área, que é essencial para direccionar o fluxo de ar para as zonas pretendidas (por baixo do carro e para a traseira). Além disso as entradas de ar fornecem o fluxo necessário aos radiadores para arrefecerem a maquinaria, outro elemento essencial. No entanto à frente das entradas de ar existe a suspensão dianteira que pode desestabilizar o ar, diminuindo o fluxo que chega aos radiadores e comprometendo o que chega à traseira do carro.

A Mercedes e a Toro Rosso resolveram subir as suspensões de forma a que o ar passasse mais facilmente debaixo da suspensão chegando de forma mais limpa as entradas de ar e sendo canalizado mais facilmente para trás. A Ferrari resolveu subir o máximo possível as entradas de ar, ficando colocados numa zona onde não existe qualquer tipo de obstáculo (como se pode ver na imagem), chegando de forma mais “limpa” a essa área.

Outro truque está na frente das entradas de ar. Os Sidepods devem ter um ângulo de 75º na frente, apenas por motivos estéticos ( exigência regulamentar), o que não agrada os engenheiros que preferem um ângulo de 90º. A Ferrari usou os apêndices aerodinâmicos colocados à frente da entrada de ar, conseguindo assim prolongar o sidepod. E se esses apêndices respeitam a regra dos 75º, isso permite que a verdadeira entrada de ar possa ficar nos desejados 90º, o que melhora o fluxo de ar. É por isso que na imagem em baixo se vê a frente com o tal ângulo de 75º e depois a zona da entrada de ar a fazer um ângulo recto.

Outro truque que parece estar a ser usado, embora sem certezas é o uso do fundo plano para arrefecimento. O fundo do SF70H tem pequenos canais que saem da zona do motor e voltam a entrar (zona mais escura do fundo na imagem abaixo). Isso notou-se ainda mais quando a Scuderia colocou autocolantes térmicos para avaliar essa zona o que levantou as suspeitas. O que a equipa pretende com isso não se sabe ainda mas é por certo mais um truque que pode dar vantagem.

No geral a Ferrai deu um passo significativo. Mostrou um carro que surpreendeu pela positiva, com elementos que podem garantir vantagem a curto prazo. Vettel afirmou que 2016 foi um ano importantíssimo pois a equipa reorganizou-se e segundo o alemão “foi dado um passo atrás para dar dois à frente”. Para já a Scuderia parece estar no bom caminho e pode mostrar o seu potencial já em Melbourne. Mas a Mercedes que se cuide… 

 

fontes: skysports F1, motorsport.com
fotos: retiradas da páginas de Facebook das equipas; auto-motor-und-sport.de;

Fábio Mendes

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