WTCC – Os pilotos e as máquinas para 2017

Falta menos de um mês para o regresso das emoções do campeonato do mundo de turismos e o WTCC iniciou esta semana os testes oficiais para preparar a nova época, repleta de novidades.

As maiores novidades são certamente a saída da Citroën e da Lada do campeonato. Os franceses quiseram apostar as fichas todas no WRC e deixaram os C-Elysée à disposição dos privados e a Lada decidiu colocar um ponto final no WTCC preferindo apostar em categorias de turismo mais relevantes na Rússia.

 

Ficamos também a saber que a categoria WTCC2 que se destinava aos modelos TCR que pretendessem participar no mundial, foi riscada por falta de inscritos e pela vontade de apostar tudo nos TC1 que militam no mundial de turismos.

O WTCC continua numa fase de definição e o futuro é ainda incerto, mais ainda com uma lista de inscritos tão curta para um campeonato do mundo, mas no plano competitivo o campeonato parece ter os ingredientes necessários para proporcionar uma boa época para os fãs, mais ainda pela saída da Citroën, que dominou os últimos anos da competição. É tempo então de conhecer as equipas e os pilotos.

 

Honda Racing

É a equipa oficial com mais experiência este ano e os objectivos são muito ambiciosos. Com a saída da Citroën, a Honda tem de se assumir como principal candidata ao título, tanto como construtora como nos pilotos. Para isso contará com os serviços de Tiago Monteiro, Norbert Michelisz e Ryo Michigami.

Monteiro é já parte da “mobília”, estando presente desde o início deste projecto. O português é um dos mais experientes da grelha e aparece na sua melhor forma de sempre no campeonato…deu luta até perto do final e foi ainda vencer em Macau nos TCR. É claramente um dos melhores do grid e tem a experiência de muitos anos de competição ao mais alto nível. Quererá por certo trazer o “caneco” para casa e tem capacidade para isso.

Michelisz é outro dos grandes nomes do WTCC. O húngaro é uma estrela no seu país e nas pistas justifica isso. É um dos melhores, já o provou várias vezes e será provavelmente um dos mais fortes candidatos ao título, ele que tem agora mais experiência dentro da equipa JAS.

Michigami é para já uma incógnita. Foi chamado para substituir Huff, que entretanto saiu da equipa, e irá assumir o 3º Civic. Tem muito pouca experiência de WTCC e a sua primeira aventura, na ronda japonesa do ano passado, não foi digna de destaque. Havia claramente outros pilotos com qualidade e capacidade para entrarem e fazerem a diferença a curto prazo mas é provável que interesses superiores da Honda tenham tido muito peso. Mas para já não esperamos grandes feitos por parte do japonês.

 

 

Cyan Polestar Racing

Depois de um ano de estreia positivo, onde conseguiram uma vitória e acima de tudo ganharam experiência e conhecimento para o futuro, a Polestar vem este ano com ambição renovada e a aposta nos pilotos mostra bem isso. Do ano passado apenas sobra Thed Björk, sendo que ingressaram na equipa Nestor Girolami e Nick Catsburg, como pilotos principais, sendo que Yvan Muller faz agora parte da equipa como consultor e piloto de testes.

Thed Bjork foi o melhor piloto da equipa no ano passado e a sua continuidade nunca foi posta em causa. É sueco, está na equipa há muitos anos e mostrou capacidade para singrar no WTCC. É dele a vitória no ano passado e mostrou que é rápido e competitivo. Tem como objectivo ser campeão e se o S60 TC1 evoluiu bem ao longo do inverno, poderá ter uma palavra a dizer.

Nestor Girolami está de regresso ao WTCC. Depois de em 2015 ter pilotado o Civic da Nika Racing, nas rondas da Hungria e de Portugal, o argentino regressou em 2016 para a ronda japonesa e mostrou novamente qualidade mais que suficiente para se dar bem no WTCC. É um excelente piloto e sempre teve boas prestações. Precisa de um carro minimamente capaz e de estabilidade, algo que terá este ano. Pode ser um dos nomes mais falados do ano.

Nick Catsburg já é uma certeza do mundial de turismos. Jovem, cheio de talento, foi de longe o melhor piloto da Lada no ano passado, com prestações fantásticas. Era um dos pilotos que ficou sem emprego com a saída da Lada mas o seu talento seria uma mais valia para qualquer equipa. A Honda estranhamente não pareceu muito interessada nele mas a Volvo apostou bem no holandês que tem fibra de campeão.

 

 

Münnich Motorsport

A Münnich foi a grande surpresa deste inverno. No ano passado o patrão da equipa, René Münnich não se interessou muito com o WTCC e até entregou os comandos do Chevrolet a James Thompson e bem, pois o britânico teve prestações muito sólidas.  O objectivo principal da equipa parecia o WRX, mas eis que surge o anúncio que Rob Huff seria piloto da equipa ao volante de um C-Elysée. Uma dupla de luxo que irá certamente lutar pelo título.

Rob Huff dispensa apresentações. É um piloto de top, conhecedor do campeonato mas que estranhamente poucas vezes teve ao seu dispor uma máquina capaz de lhe permitir lutar regularmente pelas vitórias. Na Honda parecia ter encontrado o porto de abrigo que precisava para tentar novo título, mas a oportunidade de pilotar o melhor carro do grid terá falado mais alto e Huff optou por regressar a uma estrutura privada. Não temos dúvidas que esta aposta tem tudo para dar certo e que Huff é um sério candidato.

 

 

Sébastien Loeb Racing

A estrutura do mítico Sebastien Loeb está cada vez mais forte e depois de terem conquistado tudo o que havia para conquistar no ano passado, ao nível dos privados, a vontade este ano é certamente fazer igual. Têm as melhores máquinas do grid e agora sem a concorrência da Citroën oficial, poderão ganhar ainda mais peso no campeonato. Ao nível dos pilotos apenas uma mexida: Mehdi Bennani e Tom Chilton mantêm-se na equipa e a novidade é o ingresso de John Filippi.

Mehdi Bennani é o campeão em título dos privados e esteve numa forma notável em 2016. Foi a sua melhor época desde que está no WTCC e o seu nível de pilotagem subiu consideravelmente. Se antes era um piloto muito dado ao erro, em 2016 mostrou frieza e rapidez, tornando-se numa das figuras da época. Resta perceber se será capaz de manter o nível este ano e se quiser repetir os resultados do ano passado, terá mesmo de o fazer.

Tom Chilton conseguiu em 2016 a ansiada mudança para um C-Elysée, depois de ter chegado à conclusão que não teria hipótese contra eles no Cruze.  A primeira metade do ano foi de adaptação e não foi capaz de acompanhar Bennani, mas na segunda metade já se viu mais por parte do britânico. Tem potencial para ser o melhor piloto da equipa e este ano, já com uma época de experiência com a máquina francesa irá certamente enfrentar melhor o desafio.

John Filippi deu finalmente o salto. Depois de 3 anos no Cruze da Campos, o francês vai ocupar o lugar do seu compatriota Demoustier que, a bem da verdade, nada fez para manter o seu lugar. Ao nível de talento e potencial, Filippi é bem superior a Demoustier e tem tudo para fazer mais e melhor. É o primeiro grande desafio que enfrenta na sua carreira no WTCC mas tem capacidade para se dar bem.

Zengö Motorsport

O primeiro ano pós Michelisz não correu muito bem à Zengö. Passaram de detentores do titulo dos privados para o extremo oposto. A estrutura pareceu desorganizada e demorou a receber a segunda máquina. Para este ano espera-se que as coisas corram de forma mais suave e que tudo esteja pronto desde o início. Quanto aos pilotos a aposta na juventude mantêm-se mas desta vez teremos um piloto não-húngaro o que é uma grande novidade. Os escolhidos são Aurélien Panis e Daniel Nagy.

Aurélien Panis é filho de Olivier Panis, piloto francês de F1. O  filho seguiu-lhe o exemplo e começou nos monolugares, tendo comeptido na F4, na Formula Renault 2.0 e na Formula V8 3.5. É a sua primeira experiência nos turismos e como tal não se espera resultados estonteantes neste início de época. O WTCC é um campeonato muito especifico, os carros são muito técnicos e exigem sempre algum tempo de adaptação. Foi 5º no ano passado na Formula V8 e já tem dois segundos lugares no Troféu Andros. Esperemos que se dê bem com os ares do WTCC.

Daniel Nagy é a segunda surpresa da Zengö. Estávamos à espera da continuidade de Ferenc Ficza, que até conseguiu pontuar no ano passado, mas a escolha recaiu sobre Nagy. Ficza não está fora da equipa, que tem planos para outro projecto de “larga -escala” onde o jovem será incluído. Nagy não fez muito para impressionar no ano passado mas merece nova hipótese este ano. Quem sabe poderá mostrar mais potencial.

 

ROAL Motorsport

A ROAL mantém a sua participação no WTCC com o inevitável Tom Coronel, a estrela da companhia, o carismático piloto holandês que ano após ano continua a competir e entreter os fãs. O ano passado foi muito positivo com Coronel a marcar muitos pontos e a conseguir o 2º lugar final para a equipa, conseguindo ainda ficar no pódio da classificação dos pilotos privados. O lema deste ano é “em equipa que ganha não se mexe” e assim Coronel vai manter-se ao volante do Cruze e tentar o melhor possível dadas as suas limitações ao nível da máquina e do orçamento. Mas só o facto de se manter no campeonato é bom!

 

 

Campos Racing

É apenas uma participação em part time apenas, mas é mais um piloto para 5 rondas do campeonato. Esteban Guerrieri teve uma estreia muito interessante na ronda argentina do WTCC, onde teve um positivo 6º lugar mas acima de tudo um ritmo competitivo muito bom. Para este ano o argentino vai apostar numa participação temporária nas provas de Marrocos, Itália, Hungria e Alemanha, assim como a sua prova na Argentina. A ideia e mostrar um bom desempenho e tentar convencer novos patrocinadores a investirem. Para a Campos é a oportunidade de ter um piloto com capacidade de lutar por bons resultados e para Guerrieri é a chance de competir no WTCC e quem sabe arranjar financiamento para mais provas ou até uma época a tempo inteiro num futuro próximo. Para já irá manter-se na competição argentina do Super TC2000, juntamente com as 5 provas do WTCC.  O argentino já mostrou qualidade e acreditamos que possa ter bons desempenhos. Esperemos que sim, pois o WTCC precisa de bons pilotos.

 

 

RC Motorsport

É uma estreia no mundial de turismo. A RC Motorsport irá usar 2 dos 3 Lada Vesta que a marca russa construiu para o campeonato. A equipa francesa já definiu um piloto para esta nova aventura. Yann Ehrlacher, sobrinho de Yvan Muller vai ele também, estrear-se no WTCC, depois de ter passado pelo Volkswagen Scirocco-R Cup, assim como, pelo campeonato de França de Superturismos  e ELMS. É um piloto já com alguma experiência nos turismos e tem o forte apoio de uma família totalmente ligada ao desporto motorizado. O segundo Lada ainda não tem dono mas suspeita-se que seja Tarquini, um homem cheio de experiência e que trará o conhecimento necessário à equipa para que a evolução aconteça de forma natural.

 

Imagens dos testes oficiais em Monza

 

fontes: touringcartimes.com
fotos: wtccmedia

 

Fábio Mendes

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