WRX – O que é o RallyCross?

O mundo do desporto motorizado tem visto grandes evoluções ao longo dos últimos anos e embora a economia teime em não recuperar definitivamente, alguns promotores corajosos foram capazes de introduzir novos formatos e atrair com sucesso marcas e pilotos. Os casos mais flagrantes são os da Fórmula E e do WRX.

O WRX tem crescido com uma rapidez considerável e é visto por muitos, como um dos grandes espectáculos motorizados do futuro, e porque não, já do presente. O rallycross foi durante muito anos visto como uma categoria secundária pela maioria dos adeptos e apenas em países com forte tradição se viam competições bem estruturadas e com uma forte base de fãs.

 

Como começou?

O rallycross foi criado pela primeira vez em 1967, em Lydden Hill, Inglaterra, especificamente para transmissões televisivas. Esta nova modalidade era uma combinação das corridas de rali com um percurso fechado. O rallycross provou ser um sucesso e as corridas foram sendo realizadas regularmente nos circuitos de Lydden Hill, Croft e Cadwell Park.

A modalidade foi evoluindo ao longo dos anos até que em 2003 surgiram as categoria que hoje são usadas… Divisão 1 que consistia em carros de quatro rodas motrizes com turbo, do Grupo A, Divisão 2 com motores de 2.0 litros de duas rodas motrizes e a Divisão A1 com motores 1600 de tracção frontal. Desde 2011 até hoje as divisões são referidas como: SuperCars, Touring Car e Super1600.

 

 

Em 2013 a IMG, uma grande promotora do mundo do desporto, moda, e media, assumiu a promoção do ERC. O objectivo era actualizar a imagem da modalidade para, eventualmente, levá-lo para uma escala global.

O IMG mudou o nome de Europeu de Rallycross para RallycrossRX. E depois de um ano bem sucedido sob a nova gestão, IMG propôs à FIA a criação de um Campeonato do Mundo de Rallycross (World RX) com uma extensão da série europeia (Euro RX). A proposta foi aprovada pela FIA, em setembro de 2013, com planos para começar a nova série em 2014.

Em 2014 o reformulado WRX estreou-se na pista de Montalegre e foi um sucesso imediato tendo crescido desde então e vendo cada vez mais promotores interessados em levar os carros para os seus países. Qual o segredo do WRX? A dinâmica constante que o formato permite, as corridas curtas que obrigam os pilotos a darem tudo por tudo, o que origina sempre momentos espectaculares e as máquinas claro está.

 

FIA World Rallycross

De que máquinas estamos a falar?

Na categoria principal, nos SuperCars, falamos de máquinas de tracção integral, com motorizações de 2L turbinados, capazes de atingir os 600cv. Um dos dados mais conhecidos é a estonteante aceleração que permite ir dos 0 aos 100 em 1.9 segundos.

Os Touringcars tem motores 2L, naturalmente aspirados e apenas com tracção traseira. Os Super 1600 tem um motor 1.6L  e tracção dianteira e os RXLites, que este ano passarão a ser designados de WRX2 e que pretende ser a categoria de entrada para os SuperCars, têm tracção integral, com 310 Cv, com o motor montado no meio do chassis. 

 

 

As Pistas

As pistas são geralmente curtas, e misturam troços de asfalto com troços de terra. As pistas têm a particularidade de terem uma extensão chamada de  Joker Lap. Essa extensão costuma adicionar 2 a 3 segundos ao tempo de cada volta e permite mais indefinição até ao final das corridas. Os pilotos são obrigado passar uma vez pela extenção Joker Lap em cada corrida, sendo que se não o fizerem serão penalizados. A decisão de fazer a Joker Lap cabe ao piloto e ao Spotter, um elemento da equipa que está numa torre a ver os acontecimentos da prova e que aconselham os pilotos ao nível da estratégia.

 

 

 

Como são as corridas?

Antes da competição a sério existem os inevitáveis treinos livres onde as equipas afinam as máquinas. Depois as coisas começam a ficar mais complexas.

Existem 4 qualificações, as chamadas “Heats”. Em cada qualificação os carros todos vão competir e em cada corrida participam no máximo 5 carros. Significa isto que, por exemplo, existem 20 carros inscritos, existirão 4 corridas em cada qualificação. A ordem com que os pilotos vão para a corrida na Qualificação 1 é sorteada. Nestas qualificações não interessa a posição em que se acaba a corrida, mas sim o tempo que se faz. O piloto que fizer as 4 voltas (incluindo a joker lap) mais rápido vence a Qualificação e é atribuída uma pontuação. Na 2ª qualificação a ordem das corridas é definida pelos tempos da Q1 e no nosso cenário, mais 5 corridas têm lugar, até chegarmos à 4ª e ultima qualificação onde se obterá uma tabela com este aspecto.

 

No final desta fase os 12 melhores seguem para as meias finais e os 16 melhores recebem pontos para o campeonato. O primeiro recebe 16 pontos e o 16º, 1 ponto.

 

Nas meias finais a ordem é atribuída de forma simples… a Semi- final um recebe os ímpares (1º,3º,5º,7º,9º,11º) e a Semi-final 2 recebe os pares. De cada semi – final saem os 3 mais rápidos nas 6 voltas percorridas, para tomarem parte na grande final com 6 carros. Aqui, os 6 mais rápidos recebem pontos para o campeonato com o mais rápido a receber 6 pontos e o 6º a receber 1.

 

 

Na grande final, temos 6 carros a  lutarem entre si durante 6 voltas e o vencedor, recebe mais 8 pontos,  o 2º classificado 5, o 3º 4 pontos até ao sexto que recebe 1 ponto. No fim de semana perfeito um piloto pode receber um máximo de 30 pontos, mas com este sistema recebe mais pontos o piloto que foi constantemente mais rápido ao longo do fim de semana, mesmo que não vença a prova.

 

 

O piloto que acumular mais pontos no final das 12 rondas do campeonato é obviamente o campeão.

 

Quem são os pilotos a ter em conta?

O WRX tem para 2017 6 equipas:

 HOONIGAN RACING DIVISION  – Andreas Bakkerud / Ken Block

PSRX VOLKSWAGEN WORLD RX TEAM SWEDEN –  Petter Solberg / Johan Kristoffersson

PEUGEOT HANSEN – Timmy Hansen / Sebastien Loeb

STARD – Janis Baumanis / Timur Timerzyanov

MJP RACING TEAM AUSTRIA – Timo Scheider / Kevin Eriksson

EKS – Mattias Ekstrom / Topi Heikkinen

 

Como se pode ver a lista tem qualidade. Nomes como Loeb, Solberg (bi-campeão do WRX), Block, Scheider (sim, o campeão de DTM), e Ekstron (campeão de DTM e detentor do título de WRX) seriam o suficiente para chamar fãs. Mas os outros nomes merecem também destaque… Andreas Bakkerud venceu por duas vezes a classe Super 1600 e no ano passado lutou até as últimas rondas pelo titulo, acabando em 3º. Timur Timerzyanov foi campeão em 2012 e 2013 na categoria SuperCar. Johan Kristoffersson foi vice campeão em 2016, 3º classificado em 2015, além de ter já vencido no campeonato de turismos escandinavo em 2012. Timmy Hansen, filho de Kenneth Hansen, um dos maiores nomes do rallycross, foi vice-campeão em 2015. Janis Baumanis foi campeão de Super 1600 em 2015 e é uma das promessas do WRX, juntamente com Kevin Eriksson, que venceu o RXLites em 2014, sendo vice-campeão da mesma categoria em 2015 e que fez aquela ultrapassagem monstruosa no ano passado por fora de toda a gente. Topi Heikkinen foi vice campeão em 2014 e venceu o Global RallyCross Championship em 2013. Como podem ver não há lugar para fracos neste grid.

Há outros pilotos inscritos mas neste caso são inscrições privadas, como o caso de Reinis Nitiss (vencedor em Super 1600 – 2013 e 3ºclassificado em 2014) , Kevin Hansen (vencedor em Supercar – campeonato europeu em 2016) entre outros.

É também habitual existirem Wild Cards, pilotos que são convidados para darem um brilho extra à competição. Nomes como Jaques Villeneuve e Tanner Foust já tiveram participações esporádicas.

Tem aqui o link para a lista completa de pilotos do campeonato:

http://www.fiaworldrallycross.com/drivers

 

O Calendário 2017

São novamente 12 provas, cujo início está marcado para 31 de Março em Espanha. Mas o ponto alto é sem dúvida a prova de Montalegre, a segunda ronda do mundial, com data marcada para 21 de Abril. Montalegre é “lugar sagrado” para o WRX pois foi lá que se estreou este novo formato de campeonato do mundo e mesmo face ao apetite voraz (e bolsos mais fundos) de outros promotores, se mantém no calendário fruto do excelente trabalho feito pelas entidades organizadoras, que fazem desta prova um exemplo para todas as outras. Mais uma prova que em Portugal se trabalha com muita qualidade.

O veredicto final?

Num mundo cada vez mais dado a sensações fortes e corridas curtas mas intensas, o formato do WRX ganha fãs com facilidade. Flat Out é sem duvida a expressão que melhor define a modalidade e é muito provavelmente uma das melhores de seguir ao vivo, pois raramente há tempos mortos e em pista vemos sempre carros a dar o máximo. O campeonato do mundo de RallyCross começa a tornar-se numa das jóias da FIA e se o trabalho de promoção continuar a ser bem feito teremos cada vez mais fãs a aderir. Nós tínhamos dúvidas mas começamos a ficar rendidos. O único ponto menos positivo é o sistema de pontos que inicialmente pode parecer complicado e pode afastar possíveis interessados mas garantimos que assim que vir uma prova toda vai entender como funciona sem grandes problemas. E esta complexidade permite que todos corram contra todos o que é um elemento importante.

Para entenderem melhor tudo isto nada melhor que ver uma prova completa… temos aqui o que precisa. A ronda alemã de 2016 que corou Ekstrom como campeão. Vale a pena ver até ao fim!

 

 

fontes: wikipédia; fiaworldrallycross.com

 

Miguel Cabo

Fábio Mendes

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