WTCR – o futuro dos turismos

É oficial, o WTCC passará a ser WTCC… e o TCR International Series também. Parece confuso? Nada temam!

 

Ok, a malta tem andado um pouco afastada destas lides de escrever sobre corridas e tal, mas não perdemos muito o fio dos acontecimentos e já andávamos (como todos os que perdem algum tempo a ler coisas sobre corridas) a ouvir boatos sobre uma possivel fusão do WTCC com o TCR.

O WTCC  este ano foi bem animado e não fosse o azar de Monteiro, tínhamos por certo torcido até final por uma vitória lusa no mundial de turismos. Mas a animação da época não escondeu um facto gritante… não havia muitos carros no grid e por uma razão muito simples. Dinheiro (Podem pôr a tocar Pink Floyd)! O que aconteceu em 2014 foi uma lufada de ar fresco para o WTCC mas foi também a desgraça do campeonato.

Os novos regulamentos do WTCC permitiram a introdução de carros mais agressivos, mais rápidos e… muito mais caros. À semelhança da F1, não se olhou a meios para dar um ar mais cool ao WTCC, mas ao contrário da F1, nos turismos o dinheiro não abunda e as equipas privadas começaram a rir-se dos preços  e foram embora para um campeonato que estava a começar , chamado TCR, que prometia competição a baixo custo.

62 BJORK Thed (swe), Volvo S60 Polestar team Polestar Cyan Racing, action during the 2017 FIA WTCC World Touring Car Race of Nurburgring, Germany from May 26 to 28 – Photo Clement Marin / DPPI

O WTCC cometeu um erro crasso… entregou as chaves do castelo à Citroen, que gostou dos novos regulamentos e apostou no campeonato. Os franceses investiram em grande e, enquanto a JAS/Honda lutava por vitórias e fazia um carro à pressa, tal como a Lada e a RML/Chevrolet, desenvolviam a nova máquina com tempo e com sabedoria. Quando a época começou, a Citroen tinha um carro demolidor, 3 pilotos de top e limparam tudo sem dó nem piedade. A Honda tentou todos os anos melhorar e chegar-se aos gauleses sem sucesso. Os Lada e Chevrolet nem se fala. Este cenário assustou possíveis candidatos a entrar no WTCC e apenas a Volvo respondeu ao apelo, mas já era tarde. Os franceses fartaram-se e voltaram a 100% no WRC, onde levavam coça e precisavam de mais investimento. O campeonato estava estragado, pois o domínio exagerado afastou outras marcas e os elevados custos afastaram muitos privados.

Do lado do TCR tudo corrida bem. As máquinas eram baratas, competitivas, arranjou-se maneira de criar um BoP que equiparava os andamentos dos carros e a coisa floresceu. Os campeonatos nacionais começaram a usar a mesma regulamentação, as marcas não se importaram de gastar uns trocos para fazer máquinas, os privados também meteram mãos à obra e em 2017 havia mais de 400 TCR em pista por todo o mundo… TC1 havia à volta de 22 (provavelmente um pouco mais) e só 16 em média por cada corrida.

A Eurosport Events  tinha de fazer alguma coisa ou o WTCC ia morrer. A famosa Class One não avançou a tempo e com isso, Francois Ribeiro teve de iniciar conversa com Marcello Lotti, de quem não gostava muito. Mas no papel a fusão de ambas era ideal. O WTCC tem uma máquina de promoção de top mas não tinha campeonato para oferecer… O TCR tinha campeonato, mas não chegava a tanta gente quanto queria. Tudo junto, resultou num acordo a 2 anos e o mundial de turismos deixará de ser campeonato para ser uma taça. Serão aceites 26 participantes e 2 wildcards por prova e a inscrição de um mínimo obrigatório de 2 carros por equipa, será de 150 mil euros. O ETCC também vai passar a ser TCR Europe Series , terá como promotor a WSR, os promotores do TCR International Series.

 

Vantagens? São muitas: Mais carros em pista para começar, pois serão por certo mais os pilotos que poderão angariar fundos para fazer a época. Mais variedade, tendo em conta que, assim por alto, são 11 modelos TCR que andam por aí a rasgar nas pistas. Maior competitividade, pois se há BoP, os carros andam mais ou menos o menos e por isso o Kit de Unhas sai mais valorizado. No fundo era tudo o que a malta queria. Mais que isso, estão previstas 3 provas por fim de semana, ou seja barrigada de corridas.

18 MONTEIRO Tiago (por) Honda Civic team Honda racing Jas action during the 2016 FIA WTCC World Touring Car Championship race of Portugal, Vila Real from July 24 to 26 – Photo Alexandre Guillaumot / DPPI

Desvantagens? Algumas: Deixa de ser um campeonato mundial para ser uma taça. Pode parecer um pormenor mas isso implica que as marcas não se podem envolver diretamente na competição. Seria tremendo ver as marcas de forma oficial nas pistas mas tal poderia levar a um aumento de custos e a malta do TCR não o quer e por isso mesmo, nunca permitiu que as marcas entrassem (embora se saiba que há sempre umas equipas com ligações privilegiadas).Na pratica é um downgrade. Outro factor negativo é que as máquinas não são tão bravas como o TC1. São o suficiente para o comum dos mortais ter de trocar de roupa interior, disso não duvido,  mas os TC1 são máquinas mais exigentes e mais rápidas (em média 6 segundos mais rápidos) e foi uma pena não terem vingado. Outro aspecto negativo foi o aumento do preço e só a inscrição passou de 36 para 150 mil euros, o que pode complicar a entrada de pilotos nacionais até como wildcards.

 

Portanto, a malta que dizia que o WTCC ia morrer estava certa, e não estava. Oficialmente morreu, mas na pratica mantém-se e tem tudo para se tornar num caso sério de popularidade. Resta saber qual será a adesão das equipas e dos pilotos, que marcas vão começar a olhar com outros olhos para isto. Do que se sabe para já, há máquinas que nos parecem ser favoritas à partida tal como os Hyundai e os Honda (houve quem nos dissesse que os Peugeot eram também muito interessantes). Mas até isso é irrelevante pois a máquina que mais sucesso teve até agora foram os Golf, que tem dominado o TCR International Series e o BoP vai tratar de colocar todos num patamar (mais ou menos) igual.

Resta saber o calendário final confirmado e que circuitos estarão no menu, mas pelo menos Vila Real está na lista para já (22 a 24 de Junho) e pelos rumores que correm é para manter. Deverão passar mais ou menos pelos mesmos traçados deste ano, com uma ou outra alteração, o que para começar é muito bom. O futuro está aí a porta e para já tem bom aspecto.

 

Fábio Mendes

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