24h Daytona – Análise

Obviamente, o grande destaque da última edição das 24h de Daytona é a vitória de João Barbosa, Christian Fittipaldi e Filipe Albuquerque. No entanto, não podemos fechar os olhos a outras boas e más prestações e como tal, dar a nossa sincera opinião, mesmo que valha 0… vamos arriscar na mesma.

Stint de slicks à chuva

Marcel Fassler (Chevrolet Corvette #4 em GTLM) e Frank Perera (Lamborghini #11 em GTD) são dois exemplos de pilotos, em categorias diferentes que continuaram em pista com pneus de piso seco numa altura que chovia em Daytona. O que ganharam as equipas com isso? Muito pouco ou nada, mesmo. Fassler chegou a perder cerca de 10s por volta antes de parar para trocar de pneus, mas ainda assim aguentou-se na 4ª posição.

A verdade é que Perera & Comp. no “Lambo”, venceu a categoria de GTD e não parece que a chuva tenha tido tanta influência assim no resultado final. Fica a ideia, no entanto, que é preciso uma boa dose de lastro dentro dos fatos dos pilotos para não trocarem de pneus durante esse período.

 

Que BoP para os Ford?

Vamos lá criar teorias de conspiração… a Chip Ganassi chegou às 24h de Daytona para a sua possível 200ª vitória em corridas e dominou de fio a pavio, com os Corvette a nem sequer cheiraram a vitória. Logo nos instantes iniciais, ficou provado que só um incidente grave (um terramoto ou algo do género) dentro da equipa deitaria fora uma vitória quase certa. Que BoP teve o Ford GT? A equipa apenas teve que ajustar o ângulo da asa traseira (para 5.0 graus), aumentou o restritor de combustível no reabastecimento e foi aumentada a capacidade do tanque de combustível.

Em pista, o Ford (e o Ferrari 448 GTE) foram os únicos que conseguiram baixar a melhor volta para o segundo 44 baixo. Os Corvette fizeram a melhor volta em 1.44:437s e dos BMW nem reza a história. A classe dos GTLM foi a que menos luta deu, pelo que na nossa opinião, o BoP teve bastante influência nessa situação.

Um Ligier no meio dos Oreca

É sabido que o chassis da Ligier fica muito aquém dos chassis da Oreca. Filipe Albuquerque é um dos pilotos mais conhecedores desta realidade e nem mesmo com alguns ajustes para este ano, os Ligier parecem estar ao mesmo nível que os seus rivais. No entanto, uma tripulação nas 24h de Daytona ficou no meio dos tubarões da Oreca, mesmo à frente do carro da DC Racing de António Félix da Costa. Escrevemos isso ontem, que a tripulação do #32, com Bruno Senna, Paul di Resta, Will Owen e Hugo de Sadeleer ao volante. E não fosse alguns problemas no outro Ligier (#23) da United Autosports, de Alonso, Norris (não é o Chuck, é o Lando) e Hanson, poderíamos ter uma surpresa no top 10 da classe Protótipos. Aquele turno de Norris à chuva… encheu-nos as medidas. O miúdo é realmente bom.

Chegar ao fim num Ligier e ser 4º na geral é obra e não sorte.

Parente, Álvaro Parente

Como é ser um dos melhores pilotos de GT´s do mundo? Perguntem a Álvaro Parente, mas possivelmente ele vai achar que não merece esse título. Chegar ao volante de um Acura NSX GT3 e bater alguns dos Lamborghini, os Audi R8 e os Ferrari 488 GT3 não é fácil.

Por exemplo, a Land Motorsport (Audi R8 #29) era uma das fortes candidatas à vitória, já que para além de um bom carro e de uma boa tripulação, vinha de fortes vitórias nas 24h de Nurburgring e Petit Le Mans e terminaram em 2º da classe em Daytona no ano passado.

A Porsche venceu em 2017 a classe GTD, para além de ter nas suas fileiras Christina Nielsen, duas vezes vencedora em GTD. Os Lamborghini foram os mais rápidos no Roar e havia grande esperança que os italianos vencessem uma das grandes corridas de 24h, depois de terem estado muito bem no Dubai 24h.

Álvaro Parente viaja quase imediatamente para a Austrália, para participar nas 12h de Bathurst e repetir a vitória de 2016. Mais é possível???

Portuguese Car

É preciso escrever mais sobre a GRANDE vitória de Albuquerque e Barbosa? Sim, é preciso escrever e falar mais do que é a realidade portuguesa no desporto motorizado. Quase todas as semanas de corridas, vemos uma bandeira nacional nas cerimónias do pódio ou ouve-se A Portuguesa. Se os pilotos vão para o pódio e cantam o hino e não têm vergonha de levantar a bandeira, porque devemos nós não os ver bem grandes nas capas dos jornais e nas aberturas dos telejornais?

São disputas antigas e que já cheiram mal. O que não parece mal é ELES continuarem a dar-nos alegrias… este ano contamos com mais do que a Taça de Endurance norte americana. Já é hora!

Nissan e Mazda para esquecer

Há dias de manhã que uma pessoa de tarde, não pode sair à noite. É mais ou menos este o resumo das provas da Mazda e da Nissan. A Mazda, agora em parceira com a poderosa Joest, vai ter ainda muito trabalho pela frente para tornar os seus DPi competitivos. Problemas e mais problemas que culminaram na desistência dos dois carros, um deles em chamas. Os Nissan tiveram uma qualificação para esquecer, a corrida não começou mal mas os problemas mecânicos acabaram com a aventura a meio do percurso. Os Nissan mostraram andamento e incomodaram os Cadillac nas primeiras horas mas foi sol de pouca dura. A ESM e a Joest são estruturas fortíssimas e não deixa de ser surpreendente ver os resultados de ambas.

 

Lamborghini cada vez mais forte

Os “Lambo” deram nas vistas em 2017 no Blancpain, onde foram motivo de destaque. A marca evoluiu muito bem o Huracan e nas provas sprint passaram com distinção. Faltava provarem a qualidade nas provas de endurance e a ideia passava por vencer pelo menos uma clássica em 2018. Objectivo cumprido à primeira tentativa. Os italianos têm desenvolvido muito bem o seu GT3 e 2018 deverá voltar a ser recheado de sucessos.

A malta da F1 deu-se bem com Daytona

Basta ver as performances de Alonso, Norris, Stroll e Di Resta para ver que o pessoal que vem da F1 tendencialmente se adapta bem ao endurance. Alonso esteve ao seu nível, Norris foi espectacular, Stroll mostrou qualidade e Di Resta convenceu e vai participar com Bruno Senna na Taça Norte Americana de Endurance com a United.

 

Para terminar… Que orgulho ser português! 5 pilotos de alto nível, 5 excelentes exibições. Se Dalla Lana não estragasse a pintura ao Ferrari, teríamos mais motivos para celebrar. Isto sim merece ser celebrado. Num país que se perde com mails, com a resistência das infraestruturas, e com uma guerra de palavras sem fim, lá fora os nosso pilotos mostram serviço sem falar muito.

 

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