José Rodrigues: “O balanço de 2017 é extremamente positivo”

 

 

2017 foi um ano de grande aprendizagem para José Rodrigues. O piloto de Braga estreou-se no muito competitivo TCR Germany, onde conseguiu mostrar resultados muito interessantes e acima de tudo um andamento capaz de se equiparar aos grandes nomes daquele pelotão. Esta primeira aventura internacional teve o condão de abrir novas perspetivas para Rodrigues. Falamos como piloto que nos fez o balanço da sua participação e nos deu a sua visão sobre o TCR no geral

 

Que balanço faz da sua época 2017?

O balanço é extremamente positivo. Foi a primeira vez que fiz uma época a nível internacional, num campeonato dos mais competitivos e equilibrados do mundo, no que diz respeito a turismos. Permitiu-me evoluir muito a nível técnico e acima de tudo a nível psicológico. Tive de me adaptar a pistas onde não tinha pilotado antes, sem testes, e mesmo assim consegui mostrar um bom andamento, numa grelha como a do TCR Germany. Além disso, estive presente numa das minhas pistas preferidas, Vila Real, no ETCC, onde consegui um pódio que foi um resultado muito positivo tendo em conta o BoP que os Honda tinham nessa fase. Senti que a vitória estava ao meu alcance, mas ainda assim subir ao pódio foi muito positivo para mim. Portanto só posso estar contente com a minha época 2017 e com o que conquistei.

 

Quais foram os maiores desafios que encontrou na Alemanha?

O maior desafio que encontrei foi mesmo a competitividade do campeonato. Tinha de ir para a pista e ser o mais perfeito possível, pois uma décima de segundo era a diferença entre estar no topo ou no meio da tabela. Foi muito importante para mim e para a minha carreira ter contacto com este tipo de realidade e de exigência. Em todos os campeonatos que participei, começando nos Abarth, passando pelo TCR Portugal, consegui sempre ser um dos mais rápidos e o que me faltava era um pouco de consistência, e a minha participação num campeonato com este nível fez-me evoluir nesse aspeto. Tive oportunidade de trabalhar com pilotos de top, com uma estrutura também de top como é a Target, além do contacto direto com a JAS, tudo isto aliado ao trabalho que fiz com o Tiago Monteiro e a Skywalker, que trata da minha carreira. Ter a oportunidade de trabalhar com o Josh Files e com o Kris Richards e conseguir ser tão competitivo quanto eles, foi muito importante para mim, mais ainda sem testes e sem conhecer as pistas. Provei que consigo ser rápido em qualquer pista e em qualquer circunstância, adaptando-me rapidamente a novos desafios. Considero que consegui superar os desafios que encontrei com sucesso.

 

Do calendário do TCR Germany, qual foi a pista de que mais gostou?

Gostei muito de Zandvoort. É um circuito espetacular, com um nível de aderência baixo, um traçado muito exigente com muitas curvas encadeadas e muitas diferenças de elevações. A pista é muito estreita e os erros pagam-se caro, mesmo nos corretores, que são muito altos e podem danificar o carro. Outro que gostei muito foi Oschersleben, onde estive no primeiro fim de semana e obviamente Nurburgring que é um excelente circuito. Red Bull Ring é também engraçado, mas exige mais do carro do que dos pilotos.

Qual foi abordagem teve nas corridas, tendo em conta o desconhecimento das pistas e a falta de testes?

No início da época fui avisado por várias pessoas, que iria ter muitas mais dificuldades do que tinha tido até então, com grelhas muito mais aguerridas e pistas desconhecidas. Iria ser uma aprendizagem muito grande, mas não deveria contar com resultados, dada a quantidade de coisas novas que teria de enfrentar. Fui aos poucos aprendendo e tendo uma abordagem muito séria e dedicada, mas no primeiro fim de semana, ter ficado nos lugares cimeiros logo desde inicio, comparando com outros pilotos que tinham tido três dias de testes, deixou-me muito satisfeito e com otimismo redobrado para o resto da época. Aí, entendi que iria ter capacidade para me adaptar bem a diferentes cenários e que além da aprendizagem conseguiria ter bons resultados.

 

Qual a comparação que faz entre o TCR Germany e o ETCC?

O ETCC era um campeonato muito bem organizado e muito bem trabalhado, mas ao nível das grelhas o TCR Germany é muito mais competitivo. Temos por exemplo o Kris Richards que conquistou o título no ETCC e na Alemanha ficou entre o 10º e o 12º. É um campeonato muito mais aguerrido. É uma opinião quase unânime de quem segue o desporto motorizado e também senti um pouco isso.

 

Quais os planos para 2018? Nesta fase já tem algo definido?

Gostaria muito de poder dizer já qual é o plano para este ano mas infelizmente nada está definido. Quero continuar a minha aposta a nível internacional e creio que estou na fase certa para trazer bons resultados, mas para já nada está acertado. Tenho de montar um projeto que me permita estar numa equipa competitiva e num bom campeonato. Estou em conversações com os meus parceiros e com a Skywalker e há duas ou três propostas muito boas em perspetiva. Infelizmente a Alemanha não vai ser possível uma vez que a equipa onde pretendia competir saiu do campeonato.

Como avalia a criação do WTCR? Vai ser um dos Wildcards para a ronda de Vila Real?

O aparecimento do WTCR foi muito positivo e vem confirmar o crescimento do conceito TCR num mundo inteiro, em que eu acreditei desde início. É muito bom ter uma competição internacional deste nível, com os mesmos regulamentos que os campeonatos nacionais, o que permite uma evolução geral muito interessante, proporcionando boas corridas e bons campeonatos. É pena que os custos tenham subido em relação aos que eram praticados no passado, mas era inevitável com o envolvimento de equipas apoiadas por marcas. Gostava muito de poder participar em Vila Real, uma pista de que gosto muito e onde habitualmente tenho excelentes resultados e creio que poderia estar na luta por bons resultados. Mas para já não posso adiantar nada.

 

Que avaliação faz do TCR Portugal?

O campeonato nacional tem poucos pilotos, mas é sempre muito competitivo e tal como eu dei o salto para fora, os pilotos que lá participam tem qualidade mais que suficiente para dar o mesmo salto com sucesso. O Francisco Mora conseguiu materializar melhor o seu andamento em vitórias e isso permitiu-lhe sagra-se novamente campeão. Às vezes não basta só ter um bom andamento e é preciso que um conjunto de variáveis se conjuguem para que o sucesso surja. Lembro-me que paguei um pouco por ter um carro ainda em fase de desenvolvimento, o que levou ao surgimento de alguns problemas típicos de uma máquina ainda em crescimento. Ao nível de competitividade tivemos um excelente campeonato e foi pena o número reduzido de carros, pois acredito que com mais carros, tínhamos um campeonato ao nível dos melhores.

 

Qual o carro TCR que acha que poderá ser o mais competitivo?

O surgimento de novas marcas vai baralhar um pouco as contas. Mas a um fator que devemos sempre ter em conta que é o BoP. É muito usual ver pilotos que quando têm um BoP favorável conseguem excelentes resultados e quando há mudanças que os prejudica, têm de tentar minimizar ao máximo as inevitáveis perdas. Aconteceu-me isso no ano passado em que nas primeiras provas tínhamos um BoP ajustado para a valia do nosso carro, mas depois da terceira corrida ficamos com um BoP muito pesado, o que nos prejudicou sobremaneira. Mas é certo que vão aparecer carros muito competitivos como o Hyundai, o Audi deverá ter uma evolução muito boa este ano, tal como teve o Volkswagen. Acredito que haverá fases distintas em que as marcas que tiverem bons resultados no início terão um abaixamento com o avançar da prova.

 

O BoP é um elemento decisivo nas corridas do TCR?

Sem dúvida! O BoP é claramente um elemento diferenciador e a sua implicância nos resultados é grande. Cada carro tem as suas características, que o torna único, mais  a influência do BoP. Pela experiência que tenho, consigo dizer-lhe que o Honda tem muita aderência e muita tração, o que o torna particularmente forte nas travagens, com um desgaste de pneus maiores, o que exige mais do piloto. O VW é um carro muito bom em pista molhada e em traçados mais estreitos e com chicanes, o Seat é um carro mais global, que se consegue adaptar a diferentes exigências de traçados. Mas estas características diluem-se, pois, com um BoP mais desfavorável o piloto fica por vezes sem condições para mostrar o verdadeiro andamento. Os fãs por vezes tendem a não ter isso em conta. Numa das provas do TCR Internacional, o Borkovic estava no fim da grelha quando na ronda anterior tinha vencido por isso é algo que tem sempre muita importância na performance dos carros, mais ainda em campeonatos tão renhidos como costumam ser os TCR.

 

Sem nada definido para 2018, José Rodrigues vê 2018 como um ano em que poderá materializar todo o conhecimento que adquiriu no TCR Germany. Foi claramente um passo ambicioso, mas os resultados e o andamento mostraram um piloto capaz e com uma capacidade de adaptação considerável. José Rodrigues mostrou que tem o que é preciso para ter uma carreira de sucesso a nível internacional e 2018 poderá ser o ano em que confirma isso mesmo.

José Rodrigues - Red Bul Ring - 2

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