F1 – GP da Austrália: Sorrisos, Party Button e desilusões

Ok, não foi um GP à Hitchcock, mas tivemos uma manhã bem entretida com muitos motivos de interesse e acima de tudo um vencedor inesperado. Vettel fez a festa sem carregar no botão e Hamilton vai pensar duas vezes da próxima vez que quiser dar uma piadola.

 

Mercedes – Não houve Party Button que salvasse Hamilton

No inicio do fim de semana vimos uma Mercedes muito forte e um Hamilton mais forte ainda. Na conferência de imprensa, o “bate boca” com Vettel deu que falar (o que é bom) mas foi o britânico a ficar mal na foto. A Mercedes tinha o carro mais rápido e Hamilton apontava para uma vitória fácil, no entanto a Haas tratou de mudar o guião. Um erro no software que monitoriza o intervalo que os carros precisam para os adversários, de forma a poderem ir para as boxes em segurança em caso de um Safety Car ou Virtual Safety Car deu a informação errada à equipa. Basicamente é um algoritmo que diz se um carro tem de acelerar o passo ou não de forma a evitar… o que aconteceu à Mercedes. Hamilton não se chegou o suficiente a Vettel depois da ida às boxes e quando chegou o VSC perderam a liderança. A partir daí Vettel só teve de gerir, até porque Hamilton borrou a pintura com um erro e deixou escapar o Ferrari. Já Bottas estragou o seu fim de semana no sábado. O acidente na Q3 que danificou a caixa de velocidade implicou uma penalização de 5 lugares. Numa pista como Albert Park é a morte do artista, mas ainda assim esperava-se um pouco mais do finlandês nas primeiras voltas. O segundo stint correu-lhe melhor e beneficiou do VSC. Mas precisa de fazer muito melhor e começa a época ainda mais pressionado depois do erro.

 

Lewis Hamilton – 8

Valtteri Bottas – 6

Mercedes – 7

Foto: © Daimler AG

 

Ferrari – Vettel sempre conseguiu tirar o sorriso da cara de Hamilton

A Ferrari gosta de Melbourne, a sorte sorriu a Vettel e este não desperdiçou. O primeiro stint foi fraco e depois da entrada nas boxes de Raikkonen, e especialmente de Hamilton, não conseguiu encurtar distâncias. Assim, o alemão ficou mais tempo com os primeiros pneus e pagou para ver o que acontecia. Compensou e o VSC, aliado à distracção da Mercedes, permitiu que Seb saísse na frente.

O segredo da Scuderia foi ter dois carros a atacar apenas 1. Com a entrada nas boxes de Raikkonen, a Mercedes decidiu “cobrir” um possível undercut. Alguns apontam que foi um erro e que Hamilton deveria cobrir Vettel mas Raikkonen estava mais forte nesta altura. Um “dois para um” em que a Mercedes decidiu mal, mas se não houvesse o VSC, teria sido a jogada certa e o resultado teria sido outro.

Depois de passar para a frente… Vettel fez o que sabe melhor e acabou a festejar. Kimi começou a época mais maldisposto… 0 que é o normal. No sábado não alinhou nas brincadeiras de Hamilton e ontem pareceu algo frustrado. Há uma comunicação com o engenheiro de pista daquelas que gostamos em que ele lhe diz para não o fod… lixar,  pois minutos antes tinha lhe dito para gerir o andamento e depois pediu-lhe para puxar. Kimi deve ter sentido em demasia que estava a ser o número dois e exprimiu o seu desagrado. No primeiro stint esteve muito bem, mas no segundo baixou, talvez já desapontado com o desfecho. Mas é claro para todos que Vettel é o número 1 e Kimi terá de lutar muito para contrariar isso.

 

Sebastian Vettel – 8

Kimi Raikkonen – 7

Ferrari – 9

 

Red Bull – O melhor está para vir

Esta visto que a primeira corrida do ano não é ao gosto da Red Bull. Não começaram mal nos treinos e na qualificação tentaram agitar as águas e fizeram o melhor tempo da Q2 com os super-macios para tentar uma estratégia alternativa no domingo.

Para não variar muito, Ricciardo viu novamente o gato preto. Uma penalização por não ter diminuído o suficiente a velocidade numa altura em que havia bandeiras vermelhas em pista na FP2, custou três lugares de penalização e dois pontos na super-licença (um exagero pois ficou provado que ele estava a desacelerar). Esperava-se que Max Verstappen conseguisse ameaçar o pódio, mas o holandês esteve em baixo de forma. O carro não estava em perfeitas condições e o piloto queixou-se de subviragem desde a qualificação. Talvez tenha sido esse o maior problema de Max que não fez render os super-macios como previsto (não foram o melhor pneu para esta pista), pois sobreaqueceram demasiado depressa. Mas esperava-se mais do jovem da Red Bull que errou muito. Ainda escapou a uma penalização por ter passado Alonso sob VSC quando este cruzou a linha de saída das boxes. O holandês abriu caminho ao espanhol e escapou à penalização.

Já Ricciardo, foi de faca nos dentes para a pista e conseguiu algumas manobras interessantes e esteve perto de chegar ao pódio. Uma boa corrida por parte do australiano que provou que o Domingo é o seu dia mais forte.

Daniel Ricciardo  – 9

Max Verstappen – 6

Red Bull – 7

 

 

McLaren – Melhor que o esperado

Aproveitaram muito bem as desistências dos Haas e superiorizaram-se aos Renault. Alonso mostrou toda a sua qualidade e ganhou várias posições depois de uma qualificação em que ambos os carros ficaram de fora na Q2. O espanhol fez questão de provar que a nova parceria com a Renault pode dar mais alegrias, aproveitando também o VSC que lhe permitiu ficar à frente de Verstappen, que não teve argumentos para o passar. Um excelente resultado e uma excelente exibição.

Vandoorne não esteve tão bem e o primeiro stint prejudicou as aspirações do jovem belga. Ainda assim, conseguiu acabar nos pontos e ajudar a equipa. Um belo começo de ano, quando se esperava uma corrida para esquecer.

 

Fernando Alonso – 8

Stoffel Vandoorne – 7

McLaren – 8

 

 

Renault – Esperava-se um pouco mais

Não foi mau, mas podia ter sido bem melhor. Em qualificação estiveram bem, ao nível que se esperava,  já em corrida a sorte  não lhes sorriu e o VSC estragou as contas da equipa, que tinha feito parar os carros pouco antes.

Hulkenberg não teve argumentos para segurar Verstappen, mas acabou atrapalhar a vida a Bottas. Sainz teve uma corrida também para esquecer, pois no primeiro stint não foi capaz de segurar Alonso, que deixou escapar com um erro e no segundo stint acusou um problema com o sistema que lhe faz chegar a água, que estava constantemente a “servir” liquido ao piloto, que foi bebendo, de tal forma que ficou com o estômago cheio de água o que provocou náuseas (afinal gerir aquelas forças G’s de estômago cheio não deve ser fácil). Ambos os carros nos pontos, não foi mau, mas provavelmente poderiam ter conseguido melhor.

 

Nico Hulkenberg – 7

Carlos Sainz – 6

Renault – 7

 

 

Force India – Muito trabalho ainda pela frente

Não estiveram muito bem, mas era expectável. A equipa trouxe um carro praticamente novo para Melbourne e há ainda muito trabalho pela frente, pois o carro não mostrou ainda o andamento necessário para se chegar ao top5. Também eles foram apanhados “descalços” no VSC e não conseguiram aproveitar da melhor forma.

Perez fez uma boa corrida e quase conseguia chegar-se a Sainz e Ocon teve um primeiro stint fraco que não lhe permitiu fazer muito mais do que 12º. Esperamos que a Force ainda vai melhorar muito este ano.

Sergio Perez – 8

Esteban Ocon – 6

Force India – 6

Foto: Sahara Force India

 

Sauber – Leclerc… fixem o nome

Este é como o algodão… não engana! Leclerc fez uma excelente corrida na sua estreia e conseguiu ficar à frente do Williams de Stroll. Já é um cartão de visita respeitável para o jovem que agora dá os primeiros passos na F1.

Ericsson ficou de fora com problemas na direcção e não pôde dar o seu contributo. Mostraram um andamento ligeiramente superior ao esperado. Nada de mais é certo, mas o caminho faz-se passo a passo e para já este resultado deve servir para motivar Leclerc que pode ser uma das boas surpresas do ano.

 

Charles Leclerc – 9

Marcus Ericsson – sem nota

Sauber – 6

 

Williams – Muitas dores de cabeça para a equipa

Stroll ainda conseguiu um lugar na Q2 no sábado, mas foi o único registo positivo da equipa este fim de semana. Sirotkin desistiu cedo da corrida com problemas nos travões e Stroll não conseguiu ter um andamento bom, com dificuldades em colocar os pneus a trabalhar de forma óptima, um problema já antigo para o canadiano. Ficou atrás de Leclerc que deverá ser uma facada no ego e infelizmente, não mostrou o que se esperava dele, embora cientes de que não tem um carro fácil de conduzir

 

Sergey Sirotkin – Sem nota

Lance Stroll – nota 4

Williams – nota 3

 

 

Toro Rosso –  Afinal a Honda ainda faz demasiado fumo

Estavam à espera que a Honda tivesse acertado? Pois… não foi bem assim! Gasly viu nos seus espelhos uma nuvem de fumo que os pilotos McLaren já viram várias vezes no passado recente, pois o motor nipónico deu de si e acabou com a corrida do francês.

Hartley ficou logo arredado dos pontos na primeira volta, com uma travagem falhada na largada que deixou os pneus quadrados, obrigando-o a vir para as boxes logo na volta 2. O campeão do mundo de resistência não encontrou o ritmo ideal e acabou em último. Se Hartley nos protótipos era fortíssimo, nos F1 demora a convencer.

 

Pierre Gasly – sem nota

Brendon Hartley – nota 4

Toro Rosso – nota 3

Haas – Há dias que mais vale ficar em casa

Que grande arranque dos Haas. Magnussen estava muito forte, Grosjean acompanhava-o de perto e esperava-se que trouxessem para casa muitos e saborosos pontos. Mas a estreia auspiciosa virou pesadelo com 2 paragens terríveis em que um dos pneus ficou mal apertado em cada um dos carros. Isso levou a uma dupla multa para a equipa, por irem para a pista sem condições de segurança, e mais que isso, um golpe duro na moral dos mecânicos. Até o sistema que controla o semáforo que dá a ordem para o piloto arrancar falhou.

Não era o dia da Haas. Mas há vários aspectos positivos e a equipa mostrou que pelo menos nesta primeira fase do campeonato podem amealhar muitos pontos. O andamento dos carros foi notável. Uma nota para o gesto de Grosjean que foi consolar um mecânico visivelmente abalado. Um gesto bonito e que acima de tudo realça que neste desporto como em vários, ganha-se e perde-se em equipa.

 

Kevin Magnussen / Romains Grosjean – sem nota

Haas – 4

 

Uma última nota para um pequeno pormenor que pode escapar aos espectadores. Em 2017, as equipas foram obrigados, em cima do joelho, em colocar os nomes bem visiveis para que os espectadores e telespectadores soubessem quem era o piloto no carro certo. O argumento usado na altura era a identificação através do capacete não era a melhor (lembram-se da limitação da utilização de um certo número de decorações dos capacetes por época?).

Então o que podemos pedir à organização do campeonato este ano, que temos o Halo mesmo à frente do capacete do piloto? Podemos pedir uma seta, tipo videojogo, que nos indique o piloto? Agora sim, fazia jeito as iniciais do piloto no carro de forma a ser mais fácil a sua identificação.

 

 

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