WTCR – Duas vezes Tarquini: Análise

O lema do novo WTCR, “Drive hard or go home”, afinal não é só uma hashtag bonita para ajudar os fãs a partilharem conteúdos nas redes sociais. É mesmo verdade! É só traulitada valente de todos os lados… se a porta estiver um bocadinho aberta, o piloto arromba o que resta. Esteve muito bravo para os lados de Marraquexe, mas também houve bons momentos de corrida. E conseguimos perceber mais qualquer coisita de como se pode desenrolar esta competição durante as próximas 27 corridas. No entanto, todas as análises que se podem fazer do fim de semana, tenham sempre em atenção que o circuito Moulay El Hassanc acaba por ser um citadino.

Velho não. Experiente!

Tínhamos avisado que Gabriele Tarquini é “perigoso” com o novo Hyundai da BRC. O italiano só não venceu a corrida 2, porque desistiu devido a um toque com um velho rival, Yvan Muller. De resto, Tarquini esteve fantástico, com duas vitórias e uma pole position, saindo de Marrocos líder da taça do Mundo.

Poderão dizer que o Hyundai também é, ou pelo menos em Marrocos foi, o carro a bater. O i30N TCR é mesmo muito bem construído e desenvolvido, mas aquilo que temos na ponta dos dedos precisam de estar afiadas para vencer numa competição tão feroz. Falamos das unhas! E Tarquini tem umas unhas muito bem afiadas.

Numa conversa divertida que tivemos entre os elementos do Chicane, o nosso colega Fábio Guedes lembrou-nos que talvez o Tarquini tivesse tomado Calcitrin para este fim de semana. Talvez fosse isso!

Problemas com os travões

Foram vários os pilotos que sentiram problemas com os seus travões. Até pudemos perceber que nas rectas de Marraquexe, os pilotos que perseguiam os carros da frente, se colocavam ao lado dos da frente e não no cone de aspiração. Isso, muito provavelmente, acontecia para conseguirem arrefecer os travões.

O circuito marroquino é conhecido por ser muito quente, mas este fim de semana nem foi o caso. O problema deve estar na falta de arrefecimento que o citadino oferece. Os limites da pista são muito chegados, fazendo lembrar o Porto aquando do WTCC, e isso pode dificultar a entrada de ar fresco para os componentes dos carros.

Frédéric Vervisch, por exemplo, teve falhas de travões e afirmou que nem ao bombear fluído através do pedal, conseguiu sentir algum tipo de travagem. O seu colega de equipa teve o mesmo problema na qualificação de Domingo, obrigando mesmo o belga a não poder competir nas duas corridas da tarde. Esse poderá ser um problema diferente nos Audi RS3 LMS, que não as falhas devido às elevadas temperaturas.

Pilotos em evidência

O fim de semana não se fez só de Gabriele Tarquini. Alguns dos pilotos estiveram em evidência, mesmo alguns não tendo vencido nem ficado no pódio. Como o caso de Yann Ehrlacher, que nos deu a volta, já que apostamos que Guerrieri seria o melhor piloto Honda do fim de semana. O francês garantiu dois 4º lugares e foi à Q3 de Domingo para lutar pela Pole da corrida 3. Foi o único não-Hyundai a fazê-lo. Segue em 4º no campeonato e para já, é o melhor piloto com um Honda na classificação geral.

Outro piloto que esteve bem e com isso se posiciona na frente da classificação geral, foi Jean-Karl Vernay. O piloto da Lukoil Leopard saiu do segundo lugar da grelha na corrida 2 e bateu Pepe Oriola no arranque, conseguindo manter o primeiro posto durante a corrida inteira. JK esteve como ele sabe estar.

Mehdi Bennani e Rob Huff também deram nas vistas. O britânico esteve melhor no Sábado que no Domingo, enquanto o seu colega de equipa fez o contrário. Huff teve um segundo dia de corridas mais dificil e na qualificação, foi por um triz que não se apurou para a Q3. Como dividiram o mal pelas aldeias, o marroquino e o britânico colocaram a Sebastien Loeb Racing na terceira posição da classificação por equipas. Bom esforço de equipa.

Thed Bjork poderia ter vencido a corrida 1, mas por causa de um mau arranque só garantiu o segundo posto. Também na corrida 3, quando seguia na peugada de Tarquini, o carro (queremos pensar assim) deixou-o ficar mal e perdeu a posição para Muller. Mais um pódio para o sueco campeão do WTCC em 2017, garantindo o segundo lugar da geral, com menos 11 pontos que o italiano da BRC.

Porque não colocamos aqui Muller? Já vão saber.

E aqueles em evidência pela negativa

O primeiro que nos ocorre é Esteban Guerrieri. O argentino, que apontávamos como o melhor piloto da Honda para esta ronda, deixou-nos ficar mal. Como vingança, colocamos aqui neste lado… Brincamos, claro. No entanto, queríamos ver mais de Guerrieri. É certo que teve azares, como quando Fillipi lhe bateu e este perdeu o controlo ao Civic. Também teve alguns momentos de boa condução, mas no geral, terminar o fim de semana em 10º com mais 2 pontos que Thompson e ver Ehrlacher bem mais acima na classificação, não foi para o argentino o melhor que ele esperava. Nem sequer passou à Q2 no Domingo…

Tom Coronel costuma ter sempre muito azar em Marraquexe e desta vez, aconteceu o mesmo. O holandês nunca conseguiu ter o ritmo que gostaria e com isso ficou sempre no meio do pelotão, sempre muito junto, onde os toques acontecem com mais frequência.

Apenas garantiu 1 ponto dos 87 que estavam em jogo durante o fim de semana. A vida no meio daquele pelotão feroz, deve ser tal e qual como no metro de Tóquio, pelo que esperamos mais de Coronel na Hungria.

A Team Mulsanne teve bastante trabalho durante os dois dias de Marraquexe, com certeza. Giovanardi e Morbidelli sentiram imensos problemas com os Giulietta TCR e estiveram mais tempo parados nas boxes do que na pista… claro que exageramos, mas por vezes quase que tínhamos essa percepção durante as corridas. O melhor resultado foi o 13º lugar de Giovanardi na corrida 2, mas nas 3 corridas do WTCR em Marrocos, pelo menos 1 dos carros preparados pela Romeo Ferraris, tinha desistido. O problema de travões pode ser o maior causador dos abandonos, mas pareceu-nos que algum problema de arrefecimento de outros componentes colocasse em causa as corridas dos italianos. Fica pelo menos a certeza que sobreviveram ao primeiro encontro numa pista totalmente desconhecida para a equipa.

Yvan Muller… sim colocamos o experiente alsaciano deste lado, assim como colocamos Norbert Michelisz.

Michelisz teve o azar do lado dele, mas também foi tapado fortemente por Muller na corrida 2. Muller teve uma manobra menos conseguida na largada dessa corrida e mesmo tratando-se de carros de turismo, não foi aceitável. Pura e simplesmente deixou de pensar na corrida em si e só quis saber de tapar de todas as formas possíveis o húngaro. Michelisz não largou o pé do acelerador e bem, já que continuou na sua trajectória, mas foi engolido pelo pelotão que vinha logo ali. A sua corrida ficou estragada logo nesse instante.

Claro que Michelisz já não tinha tido uma corrida feliz no Sábado, mas este foi mais um resultado mau, resultado de um adversário. Assim não gostamos de ver corridas, não achamos justo.

 

Classificações gerais depois de Marrocos, aqui .

O WTCR regressa nos dias 28 e 29 deste mês, desta vez na Europa. Hungaroring é o destino do pelotão da taça do Mundo e onde ainda não sabemos se podemos contar com Tiago Monteiro no #18.

Vamos esperar para ver.

Foto: Francois Flamand
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