O futuro das corridas é… mais simples

O segredo da felicidade está nas coisas simples da vida… diz o Gustavo Santos e aquelas imagens motivacionais que vão surgindo nas redes sociais. Olhando para a evolução do mundo das corridas começo a pensar que é verdade.

Vivemos numa fase de transição em que se teima em anunciar a morte do motor de combustão e a mostrar o potencial dos motores eléctricos. E como vivemos num mundo de modas, é difícil mostrar a alguns ambientalistas que os Tesla não são assim tão bons carros quanto isso e que os eléctricos podem ser o futuro mas não são a solução para o presente.

Para que uma tecnologia seja verdadeiramente verde não pode ter vestígios do cinzento do carvão. Mas os eléctricos de hoje em dia são mais cinzentos do que verdes. De onde vem a electricidade? A maioria infelizmente de centrais de queima de combustível fóssil. E as baterias? Serão assim tão “amigas do ambiente”? Sou um utilizador de baterias há vários anos e uma coisa que aprendi é que elas viciam e deixam de trabalhar passado algum tempo. O que não sei é como são reaproveitadas depois. E depois há a questão das minas de onde se retiram os compostos para as baterias que normalmente no terceiro mundo são uma amostra demasiado cruel do que será o inferno. Por isso o Hype dos eléctricos não me tem afectado muito, embora reconheça que são o futuro. Ok, mas então o presente?

O presente, na minha opinião passa pela alta eficiência. Passa por motores de combustão interna capazes de fazer render uma gota de combustível ao máximo. Motores que nos permitirão ter a comodidade a que estamos habituados, mas com metade do impacto ambiental. Sim, não pensem que não reparei que estamos em abril e continua a cair neve. Não vou meter a cabeça na areia e pensar que não se deve fazer nada, apenas  porque gosto do barulho dos motores. É preciso tomar medidas, mas medidas sérias e fundamentadas e não para satisfazer a vontade de meia dúzia de ambientalistas de faz de conta. Os verdadeiros ambientalistas sabem com certeza o trabalho que ainda é necessário fazer para chegarmos uma realidade sustentável.

Por isso é que considero os motores da F1 uma maravilha da engenharia. Por isso vejo os valores de eficiência atingidos na F1 e fico espantado como é que em 4 anos crescemos tanto. Por isso vejo com alguma tristeza a vontade de simplificação dos motores para o futuro. É necessário pois os custos são realmente exagerados… mas ainda assim. O MGU-H é a peça que mais dores de cabeça tem dado, mas o conceito é tão bem pensado que é quase criminoso deixar de ser usado.

O WEC também quase de certeza irá passar por um downgrade ao nível da engenharia com um sistema híbrido bem mais simples de forma a agradar a malta do IMSA que não é muito dada a inovações que custam dinheiro e complicam a vida aos privados.

 

Pelos vistos não podemos ter engenharia do mais alto nível e competição de igual calibre. Ao contrario do que seria de esperar as grandes competições estão a simplificar as fórmulas para atrair mais marcas e privados. E o desporto motorizado que é um dos maiores veículos de desenvolvimento da industria automóvel parece estar a chegar a um ponto em que esse objectivo não interessa tanto.

E não posso censurar as marcas e os responsáveis. Basta ver o WTCR, uma fórmula mais simples do que o WTCC mas que funciona muito melhor. Basta ver a primeira corrida deste ano. O WRX também não usa tecnologia demasiado complexa e é o sucesso que conhecemos.

Será que estamos a chegar a uma altura em que o desenvolvimento tecnológico e o desporto motorizado tem de se separar? Gostaria de dizer que não mas não me parece que seja a resposta certa. O WTCR, o IMSA, o WRX, são exemplos de campeonatos que esqueceram a tecnologia de ponta, as complicações e optaram por solução mais simples e são os que têm ou podem vir a ter mais sucesso. Terão capacidade para resolver os problemas do nosso dia -a – dia enquanto nos divertimos? Não.

O motor de combustão ainda tem uma palavra a dizer, e basta ver o que a Mazda está a fazer para entender que há ainda muito para tirar dos pistões e da bielas. Mas parece haver uma vontade do desporto motorizado de se dissociar dessa busca pela excelência. Não parece haver capacidade de juntar o melhor dos dois mundos. Não é o fim do mundo, mas deixa-me algo triste. Ou talvez a chave do desenvolvimento do futuro esteja na Formula E e seja neste campeonato que deva procurar por um elemento de competição / tecnologia mais vincado. Talvez tenha de procurar  essa vertente noutros campeonatos. Afinal também nós como fãs temos de nos adaptar aos novos tempos e à nova realidade. Espero poder estar enganado e ainda ficar espantado com as evoluções que a F1 e o WEC poderão apresentar.

Quando me perguntam se o entretenimento e a evolução podem conjugar-se, continuo a achar que sim embora o que vejo actualmente é o contrário do que penso. E será que a competição deve servir apenas o propósito de entreter? Ou deve também ser um veiculo de mudança. Aguardo pela vossa opinião nas caixas de comentários.

 

 

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