MontalegreRX: A primeira vez no WRX

Já há algum tempo que andávamos com vontade de ver ao vivo o WRX em Montalegre. Tínhamos ouvido maravilhas do evento e da competição, mas apenas este ano nos foi possível ir até lá e ver como é o ambiente no Circuito Internacional de Montalegre.

E o primeiro impacto foi… fresco. Assim que chegamos no primeiro dia, fomos recebidos com uma “brisa” algo arrepiante mas um cenário fantástico. A pista tem uma paisagem tipicamente transmontana, que lhe dá um colorido único. Ao nível visual, Montalegre conquistou-nos rapidamente.

Pouco depois, pudemos ver as máquinas em pista e aí tivemos a segunda boa surpresa do dia. São de facto carros imponentes e rápidos…muito rápidos. A forma como arrancam da linha de partida é impressionante e o som dos motores é delicioso. A juntar-se a isto, um lote de pilotos com qualidade e uma pista cujo traçado é muito interessante e muito exigente. Tínhamos os ingredientes necessários para passar um belo dia de sábado.

Seguiu-se um passeio pelo paddock e aí pudemos ter uma terceira surpresa. É certo que se trata de um campeonato do mundo, mas não estávamos à espera de um nível de sofisticação tão elevado nas estruturas das equipas e até nos carros. O espaço da EKS foi aquele que mais nos impressionou pela elegância e funcionalidade, permitindo que os fãs possam estar mais próximos dos seus heróis. A proximidade é algo comum a todas as equipas que fazem um excelente trabalho a nível de redes sociais. Um campeonato moderno e que sabe muito bem que este tipo de trabalho dá frutos quer a nível de popularidade como ao nível da exposição das marcas. E as máquinas são também muito evoluídas. Pudemos ver alguns pormenores interessantes, explicados com mestria pelo Duarte Mesquita, que teve a amabilidade de ser o nosso cicerone neste primeiro contacto a sério com o WRX. Para quem gosta de apenas de acção e adrenalina, o WRX tem para dar e vender, e para os geeks da tecnologia e dos pormenores há também muitos motivos de interesse.

Mas a cereja no topo do bolo estava reservada para domingo. O aquecimento global voltou a fazer das suas e tentou arrefecer os ânimos dos muitos fãs que foram até Montalegre para ver o derradeiro dia de prova. A chuva apareceu e pouco depois um nevão bravo. Pensamos que aquele tipo de meteorologia iria dissuadir o público, mas as bancadas permaneceram bem recheadas. Durante a tarde tivemos um pouco de sol, que tentou mostrar-se por entre as nuvens, mas por altura das semi-finais a neve voltou a aparecer, com a companhia de um vento gélido. Na pista a acção estava ao rubro e os pilotos tinham de enfrentar condições variáveis e colocar na pista todo o seu talento. Chegou a hora da final e a juntar ao frio, ao vento e à neve, o nevoeiro também ameaçou. Com este cenário ninguém ficaria surpreendido com uma debandada geral mas a malta manteve-se firme nas bancadas, e ainda havia ânimo para saltar ao ritmo das Monster Girls.

A festa chegou ao fim e o público foi rápido a abandonar o local mas ainda foi dar uma ultima salva de palmas aos homens do pódio. Nós ainda ficamos mais algumas horas e pudemos aproveitar os últimos raios de sol do dia. Depois da tempestade e a emoção a calma do interior transmontano tomou conta do Circuito Internacional de Montalegre para podermos aproveitar uma ultima vez da paisagem.

Os nossos destaques? Dentro de pista ficamos impressionados com o poder dos Audi, que nos pareceram ter o som mais imponente. Os Megane também nos ficaram debaixo de olho não pelo desempenho mas sim pelos pormenores técnicos interessantes, entre os quais a colocação dos discos de travões longe da vista, numa configuração diferente e original. O talento dos pilotos também nos conquistou e de todos, destacamos Kristoffersson. Em pista molhada não deu hipótese e foi o melhor. Mas Loeb, Solberg, Timmy Hansen e Bakkerud foram outros que nos chamaram à atenção. E por fim o público. Malta que aguentou de forma estóica condições nada agradáveis e que apoiaram os pilotos até ao fim. Este tipo de paixão não se vê com muita frequência. Vocês são doidos, mas é por isso que continuamos a receber campeonatos do mundo mesmo contra países com muito mais dinheiro para investir. A paixão dos fãs e de quem organiza é que faz toda a diferença e devemos ter orgulho por sermos únicos nesse aspecto.

No final da festa alguém se metia connosco e dizia que o WRX é o melhor espectáculo do mundo. Somos malta da velocidade e os nossos gostos inerentes levam-nos para outros campeonatos e outras máquinas. Mas a experiência em Montalegre foi excelente e recomendamos vivamente a todos os amantes do automobilismo.

Por fim, uma última nota para  o CAVR e o município de Montalegre que fazem um trabalho notável na organização deste evento. É de louvar um município do interior do país ter tanto dinamismo e coragem para apostar num evento destes e que quer continuar a melhorar as infraestruturas, já com planos para a construção de um posto médico, um media center melhorado e uma bancada coberta. Quanto ao CAVR a organização de um evento desta exigência é dura (conhecemos malta que trabalha no clube e sabemos bem da exigência que é colocada), mas mais uma vez mostraram a qualidade a que já habituaram todos os que seguem as corridas.

 

Valeu a pena ir apanhar com neve na cara e vamos tentar regressar para o ano.

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