Vila Real – Mateus a fundo… na primeira pessoa

Há 5 anos atrás, o Ricardo, o Mota, o Pedro e o Fábio começaram uma brincadeira chamada Chicane. 4 amigos que se juntaram para escrever sobre corridas, sem objectivo definido a não ser falar do que mais gostavamos.

O tempo foi passando a ideia foi crescendo e fomos conhecendo cada vez mais pessoas… algumas que achávamos que nunca iríamos conhecer. As pessoas foram gostando do nosso trabalho e (espantosamente) confiando em nós. Tem sido um caminho saboroso de fazer. 5 anos depois muita coisa mudou e do grupo que iniciou este projecto, apenas dois sobram (os que saíram vão sempre fazer parte desta história). Mas temos agora pessoas novas connosco, como o Guedes e a Bruna, cujo trabalho é fundamental. Foi com eles que enfrentamos o nosso 4º Circuito, 3º ano a ajudar directamente a organização. Já se passou muita coisa desde que começamos, mas este ano foi talvez o mais insano que tivemos.

Tivemos mil e uma coisas para fazer e chegamos ao fim completamente estafados. Somos uns meninos comparado com a maioria das pessoas na organização do circuito, para quem dormir é apenas um luxo acessório do qual se pode abdicar frequentemente. Tivemos muitos momentos intensos e que ficarão guardados para sempre na nossa memória. Alguns só poderemos falar daqui por algum tempo, se falarmos deles. Mas há que podemos falar com um sorriso na cara… daqueles sorrisos que se vêm nos miúdos em vespera de Natal.

Estávamos nós a falar com a malta do nacional, quando recebemos uma chamada. Era um responsável do WTCR a convidar para dar uma volta de TCR ao Circuito de Vila Real. É daqueles convites que não se recusa nunca. Tanto eu como o Pedro tínhamos este desejo há muito tempo de experimentar o que é Vila Real do lado de dentro da pista. Mas como eu já tinha andado de Lamborghini com o Carlos Alonso há uns anos atrás, fiz o que tinha de ser feito. A vaga passou para o Pedro. O acordo de cavalheiros estava feito desde essa altura e era hora de cumpri-lo. Mas mais uma vez, a providência tratou de facilitar a vida e do nada surgiram duas vagas, o que significava que tanto eu como ele iríamos para a pista. Não tínhamos cara para tanto sorriso.

Chegou o processo de vestir o fato e o capacete. E logo aí ficamos com a sensação que ia ser uma experiência… quente. O calor era muito e com o fato ficou ainda pior. Chegaram as nossas boleias (Honda Civic TCR FK2), o Pedro teve boleia do Oriola e eu do Lessennes. O primeiro impacto foi do imenso calor que estava dentro do carro. Há no mundo saunas mais frescas que aquele Honda, àquela hora. Mas assim que a porta fechou, fui logo transportado para outra dimensão, onde o calor deixa de existir. Subir a saída das boxes e enfrentar a pista foi um dos momentos mais gloriosos. Mas o melhor estava para chegar. Veio a secção sinuosa antes da curva do Boque e nessa zona a primeira travagem forte, que me obrigou a “cumprimentar” com um aceno afirmativo quem via o carro a passar. Seguiu-se a aceleração para a esquerda da linha do comboio e a primeira apresentação aos rails que passavam mesmo ali ao lado. Acho que dava para ver os parafusos e eu vejo mal ao longe. Depressa chegaram as “encadeadas” depois da casa das Quartas e aí o sorriso era ainda maior. Na chicane de Mateus o primeiro contacto mais  “a sério” com os correctores, ao que se seguiu a famosa curva do Cipreste. Mesmo com um 4C a atrapalhar tive a visão mais espectacular de sempre… Descida de Mateus, com o Civic a “destrocar”. A primeira de Mateus é um mimo e a chegada à Chicane da Araucária espectacular.

A volta acabou depressa demais. Tinha de ser pelo menos mais duas ou três. Mas não me estou a queixar. O que aconteceu foi um sonho tornado realidade. Bem sei que o rapaz não ia de “faca nos dentes” mas para mim contou na mesma.

Melhor parte? A partir da casa das Quartas até ao Cipreste. Desde a travagem até as “encadeadas” a sensação é brutal e o Cipreste é fantástico.

Serve este texto não para vos causar inveja mas para vos dizer que Vila Real é mágico. Se os milhares que vêm do lado de fora ficam encantados com os artistas, também eles têm motivos para ficarem encantados com este palco. Temos um circuto fantástico visto de qualquer lado.

Viemos parar a Vila Real por um acaso mas é um acaso abençoado. As pessoas por vezes esquecem-se do muito que têm. Este circuito faz inveja a muitos e por vezes é menosprezado até por quem o percorre todos os dias. Se tivessem a oportunidade de o ver como nós o vimos… talvez mudassem de opinião. Este ano, ficamos a gostar um bocadinho mais disto… como se isso fosse possível.

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