Estrada/Ensaio – De Hyundai Ioniq por Vila Real

No passado domingo estivemos presentes na conferência “Ioniq e a Mobilidade Ecológica”, que decorreu no Nosso Shopping em Vila Real. Um evento organizado pelos Irmãos Leite Concessionários e que contou com o apoio da Hyundai Portugal e da UVE (Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos). O objetivo deste evento era reforçar a ideia de que temos que começar a olhar para os veículos elétricos/híbridos/plug-in como uma verdadeira alternativa aos automóveis com motores de combustão, ficar a conhecer melhor o novo Hyundai Ioniq, um carro que oferece as três motorizações e por fim realizar um test-drive ao modelo da marca coreana.

Num breve resumo ao que foi falado na conferência, a UVE, criada em Coimbra no ano de 2015 e que conta atualmente já com 300 membros, mostrou alguns dos números de vendas e medidas de apoio à compra de veículos amigos do ambiente. Em 2011 apenas foram vendidos 210 carros com estas motorizações em Portugal, mas em 2017 o número aumentou para os 4.237. A nível de incentivos, existe um apoio de 2.250€ para carros 100% elétricos ou de 400€ para motas 100% elétricas, mas apenas para 1.000 veículos por ano, além da isenção do pagamento de IUC, ISV e de IRC para as empresas.

Uma nova forma de conduzir

Em conversa com Manuel Reis da UVE, quisemos apresentar as nossas perguntas, típicas de cépticos dos eléctricos. Não há como fugir à realidade, o som de um motor de combustão ainda nos arrepia e irá fazê-lo durante muito tempo. Mas temos de nos render às evidências e olhar de forma objectiva para as vantagens. Os carros são de mais fácil manutenção, com uma redução absurda das partes móveis sujeitas a falhas. Além disso, parecem ter já uma fiabilidade boa e um dos homens da UVE tem um i3 com quase 200 mil Km, sem problemas, apenas com um decréscimo ineitável da capacidade da bateria. Mas o que nos fez pensar mais é a forma como olham para a condução. Um eléctrico exige um planeamento prévio, mas se para nós isso pode ser um elemento castrador, para estes utilizadores é um benefício, pois permite-lhes organizar melhor e de forma mais eficaz a agenda. Passaram condutores nervosos, que abusavam da faixa da esquerda a 200 à hora, para condutores zen, que cumprem os limites de velocidade e se sentem mais relaxados a conduzir. Tão relaxados que um conjunto de pneus fez 98 mil km! É uma forma muito diferente de ver a condução, mas que aparentemente agrada muito a quem a utiliza diariamente. A questão da baterias foi também abordada e no fim de vida nos carros, podem ser usadas como postos de armazenamento de energia e quando estiverem completamente esgotadas a sua reciclagem é possivel. A quantidade de CO2 enviada para o ar com os eléctricos é também drásticamente menor. Tinhamos dúvidas que os eléctricos eram realmente verdes, mas os dados apresentados a nível nacional (com uma rede de energias renováveis considerável) os valores são incomparávelmente mais baixos. Ficamos muito menos cépticos no final.

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Seguiu-se uma breve apresentação da gama Ioniq da Hyundai, por Rui Baltazar (Responsável do Planeamento e Gestão de Produto da Hyundai Portugal). A marca apostou forte neste modelo que pode ser adquirido com três motorizações diferentes (elétrica, híbrida, híbrida plug-in), o que o torna num automóvel muito competitivo neste tipo de segmento. Em 2017 ganhou o prémio de “Carro Ecológico do Ano” em Portugal e noutros países da Europa.

O Ioniq foi desenvolvido a pensar na poupança e nos baixos consumos, tendo apenas um coeficiente aerodinâmico de 0,24. Conta ainda com vários apêndices no exterior que melhoram a deslocação do Ioniq pelo o ar. Já no seu interior a marca utilizou materiais ecológicos na construção, tudo para garantir que era um automóvel amigo do ambiente. Para reforçar a confiança nas pessoas, a Hyundai oferece 5 anos de garantia sem limite de quilómetros e mais 8 anos/200.000 km de garantia nas baterias, em toda a gama Ioniq.

 

Condução:

Passando à parte da condução, devo dizer-vos que nunca tinha conduzido um carro elétrico ou híbrido até agora. Escolhi então a versão híbrida plug-in para começar o teste. Este modelo conta com uma potência combinada de 141 cv e 265 Nm de binário para mover os 1.550 kg de peso.

Como é plug-in, conta com uma bateria de 8,9 kWh que estando com a carga máxima permite fazer 30/40 km em modo 100% elétrico. Como foi um pequeno teste e não foi possível medir as prestações, confiamos naquelas que a marca nos deu: uma velocidade máxima de 178 km/h e uma aceleração dos 0-100 em 10,6 segundos.

Puxei a alavanca da caixa automática DCT de 6 velocidades para o D e comecei a sair do parque. Logo após os primeiros metros percebi logo que esta caixa mete a CVT de outros concorrentes no “bolso”. Não faz barulho e é muito suave a mudar de relações. Existem vários modos de condução, mas o mais sensato de usar é o modo híbrido, que liga ou desliga o motor a gasolina de forma automática, consoante a nossa força no acelerador e a morfologia do terreno.

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Outra coisa que gostei muito foi a suavidade com a o motor desliga ou liga, tudo feito de modo silencioso e sem abanões nem ruídos. Sempre que carregamos no acelerador, sentimos força e o Ioniq desenvolve, sem queixas. Se não andarmos num estilo de condução agressivo, este híbrido plug-in faz um consumo médio de 4.7 l/100 km, sem problemas.

Teste ao Eléctrico

De volta ao parque foi tempo de trocar para o modelo 100% elétrico e apesar  das mudanças de um modelo para o outro serem poucas (a grelha frontal tapada, alguns apontamentos em cor cobre em vez de azul no exterior/interior e a caixa de velocidades com botões), quando se começa a andar, a sensação de condução é fascinante e muito diferente do modelo plug-in. Para quem está habituado a ouvir o motor a trabalhar e adora as belas sinfonias dos V10 ou V12, a ausência total de som parece coisa de outro mundo, quase irreal.

Carregamos a fundo no pedal da direita e não ouvimos nada. Parece que circulamos com o carro desligado, sente-se um misto de estranheza e de estupefação. Mas ao fim de algum tempo começa-se a desfrutar do carro e já não nos lembramos que não faz barulho. Como é um elétrico, tem a potência toda disponível de imediato, o que agrada muito. Mudamos para o modo Sport e o Ioniq entrega a totalidade dos 295 Nm ao pé direito, do motor com 120 cv de potência.

Pode parecer pouco, mas acreditem que quando carregamos a fundo, sentimos bem aquele “kick” nas costas e ficamos colados ao banco. A partir daí é tudo o que queremos fazer, arranques a fundo para deixar quem vai no passeio a olhar para nós, com cara de admiração. Afinal faz 9,9 segundos nos 0-100 km/h. O único problema é que este tratamento “queima” muita bateria e a autonomia começa a descer, além de nos dar um ar pouco profissional.

O Ioniq Eletric tem umas baterias de 28 kWh que permite ter uma autonomia real de 220/200 km com uma carga. Numa tomada normal de nossa casa, pode demorar de 6 a 12h a carregar dependendo da potência contratada. Já com uma Wall Box a carga demora apenas 4h25 (segundo a Hyundai).

Veredicto final 

Em jeito de conclusão, podemos afirmar que este Hyundai Ioniq é um concorrente de peso no segmento dos automóveis elétricos. Vem equipado de série com muitos extras de conforto e com muitas tecnologias de ajuda na condução. Tem um interior espaçoso, com materiais de boa qualidade e construção. A nível de design, o Ioniq até tem umas linhas bastante… “normais” e bonitas para este tipo de segmento (o Toyota Prius não é tão apelativo a nivel estético). A nível de garantias o Ioniq  é o melhor do mercado. Além disso, é muito confortável, digere bem as irregularidades do asfalto e aguenta bem umas curvas feitas com velocidade a mais.

Para quem tem uma rotina muito previsível, circula quase sempre dentro da cidade, faz poucos quilómetros por dia, e tem um 2º carro para grandes deslocações, o Ioniq Eletric é a escolha ideal. Com uma autonomia aceitável, nunca ficamos apeados, circulamos a ouvir os passarinhos (ou o vernáculo dos restantes condutores) e podemos sempre fazer aquele arranque mais “nervoso” nos semáforos, para deixar outros automobilistas para trás.

Se já fizer muitos quilómetros por dia, ou passar muito tempo fora do centro da cidade, ou se ainda tem aquele medo de ficar apeado com um carro elétrico (não o censuro, pois eu mesmo ainda tenho esse receio), o Ioniq Hybrid Plug-In é a escolha mais acertada. Podemos guardar a carga da bateria para utilizar o modo elétrico dentro da cidade e quando entrar na auto-estrada para fazer um percurso mais longo, utilizamos o motor a gasolina, sem preocupações nem receios de ficar no caminho.

A nível de preços, o Hyundai Ioniq Hybrid custa desde 33.321,80€, o Ioniq Hybrid Plug-In custa desde 40.475,38€ e o Ioniq Eletric custa desde 39.500,00€.  

Para terminar queríamos agradecer aos Irmãos Leite Concessionários pelo o convite que nos foi feito para o evento e pela disponibilidade para testar as viaturas.

 

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