CPVT/ELMS: Portimão… o carrossel encantado

Já andamos nisto da escrita sobre o desporto motorizado há algum tempo. Pouco, comparativamente aos muitos sites e blogs que existem sobre o tema e que muito bem fazem o seu trabalho, mas já algum para veremos o trabalho feito para trás e pensarmos…”porra!”

Aos poucos, por vezes sem sabermos bem como, vamos tendo oportunidades únicas, conhecendo pessoas fantásticas e visitando sítios brutais. No fim de semana passado a visita a Portimão e ao Autódromo Internacional do Algarve foi uma espécie de cereja no topo do bolo de 2018, que foi bem saboroso até agora.

Já há algum tempo que tínhamos curiosidade em visitar o AIA, com o qual tivemos contacto pela TV e pela realidade virtual do simracing. E se na TV a pista parece ser engraçada, no simracing a pista é brutal… Na “vida real” é ainda melhor! O único problema é que fica a 5h e meia de viagem de onde moramos, o que pode dissuadir visitas mais frequentes. Mas o AIA é uma infraestrutura fenomenal. Condições de topo, para equipas, jornalistas e fãs. E o melhor de tudo… um traçado desenhado com um toque dos deuses das corridas, que de quando em vez permitem que que um pedaço de asfalto se transforme em algo mágico. Este carrossel encantado é daquelas pistas que exige talento e concentração dos pilotos. Daquelas que nos faz duvidar se aquela malta ao volante é mesmo humana ou se “joga com o baralho todo”. Subir a Torre Vip e ver as máquinas a percorrerem este glorioso traçado é algo que todos os fãs de desporto motorizado deveriam fazer pelo menos uma vez.

 

Tivemos a sorte de estar em Barcelona este ano, uma pista que recebe tudo e mais alguma coisa e é com grande orgulho que podemos dizer sem problema que o AIA é em tudo um pouco melhor. Tem mais classe, mais bom gosto, a pista é mais interessante… Um circuito destes deveria receber mais provas internacionais.

E claro este cenário brutal é um palco privilegiado para as máquinas do ELMS. Os LMP2 e a sua velocidade ficam tão bem neste traçado. O som brutal dos LMP3 e dos GT´s (especialmente os Porsche) são uma banda sonora divinal (embora ao fim de quatro horas comece a exigir um pouco demais dos tímpanos). E para melhorar ainda mais… dois compatriotas cheios de qualidade em pista. Começamos por Henrique Chaves, um miúdo que nos Fórmulas andava um pouco perdido, mas que no Endurance encontrou um novo profícuo terreno de caça. Em Portimão esteve em grande e voltou a fazer um turno de condução excelente, tal como tinha feito em Silvestone. Foi pena o desfecho final, com o colega a borrar a pintura. Mas quem viu sabe que Chaves esteve bem tanto em Portimão, como no resto da época.

Que dizer então de Filipe Albuquerque! Podia ser apenas mais um tipo porreiro, mas é um Sr. Piloto. Ter conhecido pessoalmente Albuquerque foi um privilégio tremendo e vê-lo vencer em casa, uma grande alegria. Albuquerque deveria ser um caso de estudo. É impossível alguém tão talentoso ser tão simples e simpático. De certeza que ele deve ter um segredo sombrio, porque não é normal alguém juntar tantas qualidades. Não há uma pessoa que fale mal do homem, a equipa claramente gosta dele e a forma como ele sorri constantemente é quase inexplicável. Estava tentado a dizer que é o Ricciardo português, mas direi que Ricciardo é o Albuquerque australiano. Que grande vitória para fechar o ano com chave de ouro. O segredo estava nos Michelin e desde a troca de marca de pneus, que a equipa encontrou o norte. E quem fez força para a troca? Albuquerque claro está! Não é por isso surpresa que as equipas onde está inserido queiram ficar com ele. Quem não tem um Albuquerque que o arranje. Ainda tivemos tempo para falar com o Felipe Nasr, o tal que ficou com o título que estava encaminhado para Albuquerque no IMSA e que andou pela F1. Um brasileiro “boa onda”.

E depois tivemos claro a malta do nosso CPVT. Para uns, morto, para outros, moribundo, para nós o campeonato nacional apenas espera que alguém com visão e iniciativa, que possa colocá-lo no rumo certo. Ni Amorim falou de um TCR Ibérico ou de um Open. Para nós o Ibérico faz sentido e é interessante. O Open é apenas um recurso. Não podemos querer imitar os espanhóis pois não temos a mesma realidade nem os mesmos argumentos. É preciso vermos mais além e não pensar que temos de ir buscar inspiração ao outro lado da fronteira, um recurso que já trouxe vários dissabores.

Para mim o momento mais marcante do fim de semana foi a dedicatória emocionada de Pedro Salvador a Paulo Ramalho. Dedicou o seu título ao malogrado colega e amigo, que deveria ter estado lá para festejar com ele. Salvador limpou o campeonato com rapidez, eficiência e mérito… foi pena não ter o orçamento para acabar a época como devia, a lutar pelas vitórias.

Tivemos também uma dose valente de emoções com um fim de semana arrasador de Armando Parente e da Novadriver. Parente acabou como começou a época… a vencer e sagrou-se vice-campeão de forma surpreendente, não pela sua valia, mas pelas contas que não indicavam à primeira vista essa possibilidade.

Se de um lado tivemos alegria do outro tivemos tristeza de quem lutou com tudo e não conseguiu o objetivo. Havemos de nos lembrar durante muito tempo do desânimo do Rafael Lobato e do Francisco Abreu, dois jovens cheios de talento que não puderam segurar o segundo lugar porque o pedal do meio teimou em não responder. Um problema já antigo do 308 TCR que os franceses da Peugeot ainda não conseguiram retificar a 100%. O Rafa quer dar o salto para fora (e faz muito bem) e o Abreu vai continuar a aposta no TCR Europa. Se saírem, são dois talentos que vão fazer falta.

Tivemos também Francisco Carvalho (quem sabe não esquece) a família Teixeira com bons resultados e com o pai Joaquim a não esquecer também Paulo Ramalho, tivemos a jovem Gabriela Correia que continua a evoluir. É certo que não tem ainda o ritmo ideal e que fez um pião na corrida 2, mas não podemos esquecer que tem apenas 16 anos e que conduz um carro nada fácil. O que vocês faziam com 16 anos? Jogar Playsation não? Todo o mérito para a jovem que vai ainda dar que falar. E claro os vencedores à geral, Pedro Marreiros e José Correia, que mostraram o poder dos magníficos GT´s.

Realçar também os Picanto que continuam a crescer e a ser uma boa plataforma para receber novos talentos e coloca-los à prova com pilotos com qualidade, como Hugo Marcos, vencedor da corrida 1 e Hugo Araújo, o “Hamilton dos Picanto” e grande amigo aqui da casa, outro tipo espetacular que certamente não tem juízo nenhuma para nos dar “tempo de antena”. Por mim o homem tinha via aberta para os TCR, mas sabemos que nisto das corridas antes de querer é preciso poder e a carteira não chega pra tudo.

Foi mais um fim de semana em grande. Mais um daqueles que vamos lembrar durante muito tempo. Em que falamos com malta cheia de talento, que admiramos muito e que nalguns casos nos dão o privilégio de os tratar por “tu”, com tudo o que isso implica. Vimos boas corridas, grandes máquinas numa pista fenomenal. Pedro Salvador disse-nos que as corridas eram uma droga. No último fim de semana a nossa dose foi grande, mas a sensação foi brutal!

 

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