Dakar 2019: Os vencedores e os “tugas”

Acabou mais uma edição do Dakar, a mítica e mais dura prova de TT do mundo. Mais uma vez os homens e mulheres que participaram encontraram pela frente desafios tremendos, percorrendo o Perú, país que recebeu a prova de 2019, desta vez sem companhia de nações vizinhas. Foram 10 etapas duras e se no final o primeiro lugar é apenas a atribuído aos líderes da classificação, o prémio pela participação e pela conquista pessoal de ter competido (e terminado) numa prova destas é certamente um sentimento de alegria que fará sentido apenas para os que partilham esta paixão pelos motores e que não têm medo de apanhar um pouco de pó.

Nos carros, o vencedor foi Nasser Al-Attiyah, o homem que sabe fazer tudo bem. Al-Attiyah conquista assim a primeira vitória da Toyota na prova, selando também o seu terceiro triunfo nesta prova. O qatari liderou praticamente praticamente o rali todo e aproveitou os azares alheios para ir conquistando uma vantagem cada vez mais confortável.  Giniel de Villiers ainda incomodou, mas um incidente tirou o colega de equipa de Nasser da luta. Nani Roma, em Mini foi segundo, e embora não se tenha evidenciado em nenhuma das etapas, fez da regularidade o seu trunfo, acabando a 46 minutos do líder. Sebastien Loeb fechou o pódio ao volante do Peugeot 3008 DKR assistido pela PH-Sport. O francês teve vários problemas com a sua máquina e um erro de navegação, que levou o seu navegador Daniel Elena a expressar o seu descontentamento nas redes sociais, por achar que o roadbook estava errado e os induziu em erro.

Jakub Przygonski foi quarto (melhor resultado para o piloto), seguido de Cyril Despres (Mini Buggy), Martin Prokop (Ford), Yazeed Al-Rajhi (Mini 4×4), Boris Garafulic, navegado por Filipe Palmeiro (Mini 4×4), Giniel de Villiers (Toyota) e Ronan Chabot fecharam o top 10.

Nas motos foi novamente a KTM a vencer com Toby Price a levar a melhor. Apesar do pulso partido antes da prova, Price acabou por vencer com uma margem de pouco menos de 10 minutos para Matthias Walkner (KTM) com Pablo Quintanilla (Husqvarna) a fechar o top 3. Juan Barreda começou melhor, mas acabou por desistir (terceira desistência em quatro anos). A luta foi renhida com Ricky Brabec e Quintanilla inicialmente, a quem se juntou Price, Matthias Walkner,Sam Sunderland, Adrien Van Beveren e Kevin Benavides.

Os homens da Honda foram saindo de prova, como aconteceu novamente com o nosso Paulo Gonçalves que foi novamente obrigado a desistir devido a uma queda.  Com quedas e penalizações sobraram para o ataque final Price, Quintanilla  e Walkner. Uma queda aparatosa de Quintanilla acabou com as aspirações do piloto, garantindo assim a dobradinha da KTM e a continuação de uma séries de vitória que vem desde 2000.

Nos portugueses tivemos vários representantes com Joaquim Rodrigues Jr. (Hero, 17º), Mário Patrão (KTM), David Megre (KTM), Fausto Mota (Yamaha, 29º), Hugo Lopes (KTM), António Maio (Yamaha), Sebastian Bühler (Yamaha, 20º) e Miguel Caetano (Yamaha, 69º).

Nos camiões, o reinado da Kamaz ainda não terminou e Eduard Nikolaev conquistou a 16ª vitória consecutiva da marca, terceira consecutiva para o piloto. Dmitry Sotnikov foi o segundo, também ele da Kamaz e Gerard de Rooy, vencedor da Africa Eco Race (que este ano foi vencida por Elisabete Jacinto) no ano passado fechou o pódio. Andrey Karginov foi destaque por ter literalmente passado por cima de um espectador, tendo sido por isso desclassificado.

Nos portugueses Pedro Mello Breyner  chegou ao fim da prova com o Yamaha YXZ 1000 R, Miguel Jordão /  em CAN-AM foi 7º da categoria SxS,  Ricardo Porém / Jorge Monteiro foi 11º da mesma categoria, Bruno Martins / Rui Ferreira terminou a prova, embora já na lista de desistências. Nos camiões tivemos a representação de José Martins que fez parte da equipa de assistência rápida de Michel Boucou e Paulo Fiuza que esteve com Alberto Herrero.

A todos os portugueses que levaram a nossa bandeira até ao outro lado do mundo os nossos parabéns.

Quanto ao futuro da competição, esse parece ser incerto. A organização não tem ainda assegurada a localização da prova para 2020, mas espera voltar ao modelo de 2018 com pelo menos três países envolvidos para assim garantir diversidade de terrenos. Há possibilidade de haver um regresso a África mas para já não passa de uma hipótese como outra qualquer. O futuro será definido nos próximos meses.

Embora pessoalmente não tenha seguido de perto o Dakar, por não ser uma prova ou uma modalidade que aprecio especialmente, não posso deixar de salientar a coragem, a determinação e a resiliência desta malta que participa. Uma prova duríssima, com desafios únicos. É para pessoal bravo e sem receio do desconhecido. Por isso, apesar de não ser o meu prato preferido, não são poucas vezes que dou por mim a ver as fotos e as imagens video que nos chegam da prova. Uma palavra também para o André Lavadinho que mais uma vez nos brindou com fotos absolutamente fantásticas e que continua a provar que é dos melhores do mundo na sua arte. A todos os participantes parabéns pela coragem.

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